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Agressões a árbitros. Gelson Martins pode ser empurrado para fora dos relvados até ao final da época

Agressões a árbitros. Gelson Martins pode ser empurrado para fora dos relvados até ao final da época

AFP Laura Ramires 06/02/2020 22:54

Internacional português fica hoje a saber qual é a consequência dos dois empurrões que deu ao árbitro no último jogo do Mónaco diante do Nimes. Imprensa francesa diz que a Liga vai ter mão pesada – e que a época pode ter terminado para o extremo.

Gelson Martins foi lesto a pedir desculpa após a “atitude irrefletida”, como o próprio jogador considerou, mas de pouco deverá valer o arrependimento tornado público pelo internacional português. Em causa o (mau) comportamento do extremo no jogo entre Mónaco e Nimes, disputado no passado sábado. Gelson perdeu a cabeça, tendo empurrado o árbitro por duas vezes em reação à expulsão do seu colega Bakayoko – acabando também ele por ser expulso do encontro referente à jornada 22 da Liga francesa, em que os monegascos saíram derrotados por 3-1.

De acordo com várias publicações francesas, o comité disciplinar da Ligue 1 vai ter mão pesada no castigo que irá atribuir ao futebolista português, que pode ficar de fora dos relvados nos próximos oito meses – ou seja, até ao final da época, caso se confirme o pior cenário. A decisão é conhecida esta quinta-feira.

“Quem me conhece sabe que em toda a minha carreira sempre tive por princípio respeitar todos – desde os meus colegas, adversários, adeptos e árbitros –, fora de campo e dentro de campo, onde nunca fui nem sou agressivo com ninguém”, podia ler-se na publicação do extremo deixada nas suas redes sociais. E acrescentava: “Sinto que devo pedir desculpa por uma atitude irrefletida e feita de cabeça quente. Peço desculpa, em especial ao Sr. árbitro Mikael Lesage, mas também aos meus colegas de equipa e aos nossos adeptos”.

Também o Mónaco condenou a atitude “inaceitável” do jogador.

 

A lista infeliz e os castigos

Gelson junta, assim, o seu nome a uma das listas mais incompreensíveis do desporto-rei. Tristemente, o extremo está longe de ser caso isolado no emblema do principado.

Em 2015, Nabil Dirar (atualmente no Fenerbahçe) foi suspenso por oito jogos depois de ter encostado a testa à do juiz Tony Chapron, na partida entre monegascos e Nice. O médio marroquino acabou por ser expulso do encontro e o pedido de desculpas apresentado pós-jogo não parece ter amolecido a comissão disciplinar da liga francesa. Ainda antes, também na Ligue 1, pode ser encontrado o caso de Youssouf Hadji. Em 2010, o jogador foi suspenso por seis meses após ter protagonizado uma atitude semelhante à de Gelson Martins no jogo entre Nancy e Valenciennes. No mesmo ano, Alou Diarra, então capitão do Bordéus e jogador da seleção francesa, foi suspenso por dez jogos, também neste caso por ter dado um empurrão ao juiz da partida que colocou a sua equipa frente ao Auxerre.

Muito recentemente, em novembro de 2019, na Alemanha, um jogador do FSV Münster, da terceira divisão, foi suspenso por três anos por ter dado um murro num árbitro de 22 anos, depois de este lhe ter mostrado o cartão vermelho. O juiz acabou por ser transportado de helicóptero para o hospital.

Portugal, porém, não foge à regra, com vários casos a registar. Em 2016, Dyego Sousa foi castigado por nove meses (a suspensão foi depois reduzida para seis meses) por uma agressão a um árbitro assistente num jogo particular com o Tondela, quando o atual avançado do Benfica ainda representava o Marítimo. Neste campo ficou também conhecido o castigo aplicado a João Vieira Pinto, suspenso por quatro meses, após ter dado um murro no estômago do árbitro Ángel Sánchez no encontro frente à Coreia do Sul, no Mundial 2002. Ainda antes, foi a vez de Abel Xavier, Nuno Gomes e Paulo Bento serem suspensos, nove, oito e seis meses, respetivamente, pelos incidentes antidesportivos com o árbitro assistente no fim do jogo das meias-finais do Euro 2000, contra a França.

Ainda assim, parece ser complicado igualar a suspensão mais pesada da história do futebol. Aconteceu em 2014, na Suíça, mas o protagonista é português. Ricardo Ferreira, jogador do Portugal Futebol Clube, que milita no campeonato distrital de Berna, foi castigado por 50 anos após ter pontapeado uma bola contra a cara do árbitro, tendo ainda despejado uma garrafa de água por cima do juiz. O episódio aconteceu depois de o luso já ter cumprido um ano de castigo por ter tirado o apito da boca de um árbitro em 2009 – para além de ter também cumprido outra suspensão de 45 jogos por agressões e insultos a árbitros. Contas feitas, o jogador, que garantiu que iria continuar a treinar com a equipa, está impedido de disputar um jogo oficial até 2064, quando tiver 78 anos.

Já fora de portas, o colombiano Gerardo Bedoya é o nome mais sonante: é o jogador mais vezes expulso na história do futebol, com 46 cartões vermelhos – vários devido a insultos e agressões a árbitros. Em 2007 cumpriu mesmo uma suspensão de nove jogos por ter apertado o pescoço a um árbitro.

 

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