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Dia J. Livre decide futuro de Joacine sem pressão das polémicas com o Chega

Dia J. Livre decide futuro de Joacine sem pressão das polémicas com o Chega

Miguel Silva Joana Marques Alves 30/01/2020 08:46

Polémica com o Chega não vai influenciar decisão – tudo indica que o partido vai afastar-se da deputada.

Chegou o Dia J – o dia em que o Livre decide se retira ou não a confiança política em Joacine Katar Moreira. E apesar do recente comunicado em defesa da sua deputada, fonte do partido diz ao i que este episódio não afeta em nada a decisão final: a assembleia do Livre deverá mesmo avançar e desvincular-se de Joacine.

O ponto em questão continua na ordem de trabalhos da assembleia marcada para esta quinta-feira. E, ao que tudo indica, o partido deverá seguir a posição assumida pela assembleia anterior e retirar a confiança política na deputada única. “A questão do André Ventura e a nossa não têm nada a ver. Mesmo que haja uma retirada de confiança, nós defendemos sempre a Joacine. A Joacine e qualquer cidadão que seja vítima destes disparates”, disse fonte do Livre ao i.

Recorde-se que, depois de ter sido divulgado que o partido quer devolver às ex-colónias o património presente em território nacional, o líder do Chega propôs a “devolução” da deputada: “Eu proponho que a própria deputada Joacine seja devolvida ao seu país de origem. Seria muito mais tranquilo para todos... inclusivamente para o seu partido! Mas sobretudo para Portugal!”, escreveu André Ventura no Facebook. O Livre saiu em defesa da deputada e emitiu um comunicado em que repudiava “as palavras deploráveis e racistas de André Ventura”.

“Se a Joacine já não tivesse a confiança política do partido na altura em que André Ventura disse o que disse, o comunicado seria exatamente o mesmo, tirando apenas a parte da ‘deputada do Livre’”, esclarece fonte do partido.

No Livre, ninguém quer fazer futurologia, mas fontes do partido dizem ao i que o mais provável é que a atual assembleia assuma a posição tornada pública pela anterior e retire a confiança política a Joacine – mesmo que isso implique críticas e aproveitamento por parte dos adversários políticos, nomeadamente da direita. “Sabemos que isso pode acontecer, mas a assembleia não pode fingir que tem confiança política numa pessoa. E não podemos ser racistas ao ponto de manter a confiança política em Joacine só porque é negra. Se o partido decidir mesmo retirar a confiança, será dito de uma forma muito clara que a Joacine continua a contar com o Livre na sua defesa, tal como os outros cidadãos. Não vai haver qualquer recuo naquilo que foi a defesa de ontem”, diz fonte do Livre ao i.

O i contactou o assessor de Joacine Katar Moreira, que disse que a deputada não irá prestar declarações sobre este assunto.

 

Declarações “abjetas” e “inadmissíveis”

Entretanto, vários partidos juntaram-se ao Livre e criticaram as declarações de André Ventura. O primeiro a reagir foi Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, que disse que as declarações de Ventura eram uma “expressão de racismo e falta de noção democrática. Este ato exige de todos uma frontal condenação. É isso que proporemos ao presidente da Assembleia da República e a todos os parlamentares”, anunciou.

André Silva, do PAN, afirmou que as declarações do líder do Chega são “abjetas e devem merecer o repúdio de todos aqueles que defendem uma sociedade do séc. xxi empática, evoluída e aberta”.

O PS informou que vai avançar com um voto de condenação: “O PS condena veementemente as afirmações proferidas contra um deputado, que são xenófobas. O convite feito a qualquer cidadão para sair e voltar ao seu país de origem é inadmissível numa sociedade democrática e é inadmissível em Portugal”, disse Ana Catarina Mendes.

Os Verdes condenam “todas as políticas, práticas e afirmações de caráter ou natureza xenófoba”, mas tem dúvidas quanto ao voto de condenação: este é uma “manobra ou mecanismo de, a pretexto de propostas de outras forças políticas, e independentemente do seu mérito, procurar fomentar essas mesmas posições xenófobas e, ainda por cima, personalizadas”.

À direita, Adolfo Mesquita Nunes, do CDS-PP, também se distanciou de Ventura: “Está aqui tudo, tudo o que a direita das liberdades não é. Está aqui tudo, tudo o que o princípio da dignidade da pessoa não autoriza. Distância, aconselha-se”. O novo líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, também foi criticado pelo Livre por ter dito que no seu partido “não há Joacines”. Esta quarta-feira, Filipe Lobo d’Ávila, vice-presidente do partido, frisou que o CDS não se revê nas declarações de Ventura: “Somos daqueles que defendem que o debate parlamentar é um debate institucional, respeitoso, é um debate de diferenças. O CDS-PP estará sempre ao lado da dignidade do Parlamento”.

Entretanto, André Ventura reagiu à polémica através do Facebook: “Mantenho o que disse. Amo o meu país. Admiro o esforço que todos os portugueses fazem para sustentar este sistema corrupto e ineficaz, com impostos absurdos. E ainda temos deputadas e deputados a dizer que temos de indemnizar outros países e ter vergonha da nossa história? Eu tenho é vergonha deles”.

 

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