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PS. Socialistas dispostos a conversar para evitar “coligações negativas”

PS. Socialistas dispostos a conversar para evitar “coligações negativas”

Diana Tinoco Joana Marques Alves 28/01/2020 19:16

Durante as jornadas parlamentares, houve fortes ataques contra o PSD e recordações de um passado feliz com a esquerda.

“Irresponsabilidade”, “populismo”, “demagogia”. O arranque das jornadas parlamentares do PS, que terminam amanhã em Setúbal, ficou marcado por fortes críticas ao PSD. Mas houve também espaço para tentar ‘lançar charme’ à esquerda e lembrar os bons velhos tempos.

Durante o almoço de abertura das jornadas, MárioCenteno deixou duras críticas aos sociais-democratas, que propõe uma descida do IVA da eletricidade para consumo doméstico de 23 para 6% a partir de julho. Segundo o ministro das Finanças, se o conjunto das propostas do PSD fosse aprovado, “agravaria o défice em 2,2 mil milhões de euros”:

“Aumentariam a despesa do Estado em mais ou menos mil milhões de euros e reduziriam a receita em mais ou menos mil milhões de euros”, explicou Centeno. 

O governante disse que, com esta medida, o PSD “consegue bater todos os partidos parlamentares na irresponsabilidade”, assumindo uma “lógica óbvia de ganho político imediato, sacrificando de forma clara os interesses do país e dos portugueses”.

 Quem também criticou os sociais-democratas foiAna Catarina Mendes, que disse que o PS está empenhado em contrariar “coligações negativas”.  “O exemplo da proposta sobre a taxa do IVA da eletricidade é não só uma tremenda irresponsabilidade, mas uma medida demagógica e populista que o PSD sabe que implicaria custos orçamentais insuportáveis para os portugueses e que exigiria cortes em despesas como, por exemplo, no SNS”, defendeu a líder da bancada parlamentar socialista.

O discurso mais áspero foi dirigido exclusivamente aos sociais democratas. Até porque, sem fazer qualquer referência ao PCP e ao Bloco de Esquerda, Ana Catarina Mendes fez questão de frisar que o PS está “aberto ao diálogo construtivo” precisamente para garantir que “as coligações negativas não existam”.

Este discurso surge na mesma altura em que Jerónimo de Sousa deixou a porta aberta para conversar com o PSD sobre a redução do IVA da eletricidade. O líder dos comunistas disse que não é coerente” rejeitar propostas “só por causa da origem”. Jerónimo fez questão de frisar que “não se trata de uma coligação circunstancial ou negativa” e que “o PS tem de ver o alcance e a bondade da medida” defendida pela esquerda e pela direita.

Para tentar tirar esta ideia da cabeça dos comunistas e garantir que o Bloco de Esquerda também não vai atrás, o PS voltou a assumir uma postura dócil para com os antigos parceiros da geringonça, lembrando que a visão estratégica do partido aproxima-o dos partidos à sua esquerda. 

“O debate orçamental é democrático, mas deve ser responsável, sob pena de comprometermos as conquistas que tivemos e queremos dar continuidade”, defendeu ontem Duarte Cordeiro. Tendo presente esta suposta vontade dos portugueses de dar continuidade ao que foi feito na anterior legislatura, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares afirmou que não será o PS a cortar o diálogo ou a virar à direita nas conversações com os outros partidos com assento parlamentar: “Assumimos que o nosso programa eleitoral e a nossa visão política sobre alguns dos desafios estratégicos que enfrentamos nos conduzem a um espaço político de entendimento natural com a esquerda parlamentar e com os partidos ambientalistas. A nossa vontade é continuar a esse caminho. E não será pelo PS, nem pelo Governo, que será interrompido”.

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