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Ventura deixa aviso: “O original é sempre melhor que a cópia”

Ventura deixa aviso: “O original é sempre melhor que a cópia”

Joana Marques Alves 28/01/2020 15:07

Líder do Chega respondeu ao novo líder do CDS-PP, que quis mostrar que não tem medo dos novos partidos de direita.

Um dos maiores receios dos militantes do CDS-PP era que, independentemente do candidato que vencesse, o partido começasse a perder identidade e a aproximar-se dos novos partidos de direita. Mas Francisco Rodrigues dos Santos, o novo líder do CDS, já deu um “chega para lá” no Chega e na Iniciativa Liberal (IL), avisando que não vai receber lições de ninguém e que irá apostar na autonomia do partido, com base em valores conservadores e liberais. André Ventura também já respondeu: “O original é sempre melhor que a cópia”.

“Somos um partido popular, interclassista, de todas as regiões do nosso país. Uma implantação nacional que nos faz vibrar e nos distingue dos partidos emergentes. (…) Somos um partido que é direita, sem complexos nem tibiezas. (…) Temos um passado de que nos orgulhamos e não recebemos lições de ninguém, nem dos que chegaram há mais tempo, nem dos que chegaram há menos. (…) À direita lidera o CDS, não lidera nenhum outro partido”, afirmou “Chicão” no seu primeiro discurso enquanto líder do partido. Ou seja, apesar de ser o “novato” que acabou de chegar à liderança do CDS-PP, Chicão quis mostrar que os partidos emergentes não têm nada de novo para ensinar – antes de eles aparecerem, já o CDS tinha a sua ideologia e os seus princípios bem definidos.

Há quem olhe para o novo líder do CDS-PP como uma tentativa de afastar o partido do centro e da direita moderada, aproximando-o mais do Chega e da IL – Chicão defende um corte nos impostos para libertar os portugueses “das amarras do Estado”, um Serviço Nacional de Saúde “construído sob os pilares da autonomia de gestão, da meritocracia, da escolha justa e racional”, o alargamento dos contratos de associação e do homeschooling e uma aposta no apoio às famílias. Aliás, numa entrevista ao SOL, reconheceu que estes dois partidos “disputam um eleitorado que o CDS tem de fixar e que tradicionalmente sempre foi seu. Até porque grande parte das bandeiras desses dois partidos foram resgatadas ao CDS pela sua inépcia ou ineficiência”.

Mas essa aproximação não é vista com bons olhos por todos. André Ventura não gostou do discurso e reagiu rapidamente no Facebook: “O novo líder do CDS devia preocupar-se mais com o seu partido a cair aos bocados do que connosco. Mas também o devo avisar de que tentar copiar-nos não é boa ideia. É que o original é sempre melhor que a cópia”, escreveu Ventura, horas depois do primeiro discurso de Chicão.

Quanto à liderança da direita em Portugal, o Chega aconselha o CDS-PP a não pôr o carro à frente dos bois e a estar atento ao crescimento do partido: Diogo Pacheco Amorim, vice-presidente do Chega e convidado do CDS neste último congresso, afirmou que o partido liderado por André Ventura está em melhores condições de liderar a direita em Portugal – o CDS é “muito influenciado pela esquerda e extrema-esquerda”, disse o antigo membro do partido à agência Lusa.

A IL não reagiu oficialmente à vitória de Francisco Rodrigues dos Santos mas, no Facebook, por volta da altura em que o novo líder democrata cristão discursava, o partido partilhou uma imagem a recordar as suas bases: “Liberais em toda a linha: mais liberdade económica, mais liberdade social, mais liberdade política”.

 

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