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Congresso do CDS. “O meu escritório serão as ruas de Portugal”

Congresso do CDS. “O meu escritório serão as ruas de Portugal”

CDS-PP Luís Claro 27/01/2020 10:34

Francisco Rodrigues dos Santos é o novo líder do CDS e promete “um partido atual e sexy”. Os mais próximos de Paulo Portas estavam com João Almeida, mas desta vez perderam.

O CDS não mudou só de líder. A partir de hoje vai mudar também de estilo e de estratégia com Francisco Rodrigues dos Santos. O novo líder, um dos mais jovens da história do partido, terminou o discurso de encerramento do congresso com a promessa de que fará do CDS “um partido atual e sexy”, mais próximo das pessoas. “O meu escritório serão as ruas de Portugal”.

Já passava das três horas da manhã de domingo quando surgiu a notícia da vitória de Francisco Rodrigues dos Santos. A moção do ex-líder da Juventude Popular conseguiu mais 109 votos do que a estratégia apresentada por João Almeida, que tinha o apoio de uma boa parte dos notáveis do partido. Pires de Lima, Nuno Magalhães ou Cecília Meireles, que integraram o núcleo duro de Paulo Portas, estiveram ao lado de João Almeida.

Um dos momentos mais polémicos do congresso foi protagonizado por António Pires de Lima, ex-vice-presidente do partido nos tempos de Paulo Portas. Pires de Lima, na sua intervenção, acusou Rodrigues dos Santos de falta de “cultura democrática” e rejeitou “ver o CDS voltar aos comportamentos tribais que o diminuíram em 1996, 1997 e 1998”, ou seja, durante os tempos em que o partido era liderado por Manuel Monteiro.

Alguns congressistas não gostaram e o ex-ministro da Economia foi vaiado. “Um partido que tem orgulho na sua história não apupa um ministro que tirou o país da bancarrota”, desabafou Adolfo Mesquita Nunes em defesa de Pires de Lima.

Os fracos resultados do CDS nas últimas eleições europeias e legislativas estiveram presentes ao longo do congresso. O CDS passou de 18 para apenas cinco deputados na Assembleia da República. Perante este cenário, nomes como Lobo Xavier e Ribeiro e Castro defenderam que só alterando a estratégia é possível voltar a ter sucesso.

Rodrigues dos Santos começou o discurso de encerramento com a promessa de que iria unir o partido, mas também com a garantia de que o CDS vai recuperar. “Este congresso foi uma prova de vida do CDS. Aqueles que esperavam o período de definhamento enganaram-se. O CDS nasce sempre mais forte. O que conta é coragem para defendermos os nossos valores. Não nos apoquentámos com uma caricatura que uma certa e determinada elitezinha gourmet, bem-pensante e de esquerda quer fazer do CDS”.

 

Um partido sexy

Durante o discurso, o ex-líder da JP deu algumas pistas sobre como será o CDS a partir de agora e garantiu que irá fazer uma “oposição construtiva” a António Costa em vez de “uma trovoada de críticas”.

Prometeu não pedir “autorização” à esquerda para defender as causas da direita e apontou algumas prioridades com a nova estratégia do partido: combate à corrupção, reforma do sistema eleitoral, revisão do sistema de segurança social, um SNS universal e sem “preconceitos ideológicos”, renovação da capacidade operacional das polícias, valorização da condição militar, um verdadeiro choque fiscal e respeitar a ruralidade contra “a agenda animalista”.

É com estas bandeiras que Francisco Rodrigues dos Santos quer tornar o CDS um partido sexy e com uma “identidade clara” – e, ao mesmo tempo, liderar a direita numa altura em que aparecem novas realidades como o Chega de André Ventura e a Iniciativa Liberal. O agora presidente do CDS falou mesmo numa “nova direita” que será “uma síntese de Manuel Monteiro, Paulo Portas e Lucas Pires”.

A nova direção do partido resultou das negociações entre a candidatura vencedora e os seus adversários. Filipe Lobo d’Ávila aceitou ser vice-presidente da direção. António Carlos Monteiro, apoiante da candidatura de João Almeida, também aceitou integrar a equipa do novo líder. Francisco Laplaine de Guimarães, Miguel Barbosa, Artur Lima e Paulo Duarte são os outros vice-presidentes. O secretário-geral do CDS será Francisco Tavares, que ocupou este cargo na JP.

 

Líder com poucas mulheres

A nova direção do CDS (eleita com 65,7% dos votos dos delegados) já começou a ser criticada por ter poucas mulheres, depois de o partido ter sido liderado por Assunção Cristas. Não há nenhuma mulher entre os vice-presidentes e apenas seis entre os 59 elementos da comissão política nacional. “2020. Não pensei que fosse possível. Quase ninguém pensou, acho. Que horror”, escreveu, nas redes sociais, a deputada socialista Isabel Moreira.

A presidente das Mulheres Socialistas, Elza Pais, também afirmou que “o CDS é um partido sem mulheres na liderança” e isso representa “um enorme retrocesso no aprofundamento da democracia”.

 

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