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Isabel dos Santos pressionada pela justiça e... pela irmã

Isabel dos Santos pressionada pela justiça e... pela irmã

Miguel Riopa/AFP Carlos Diogo Santos 24/01/2020 08:38

Procurador-geral de Angola trouxe ontem um pedido de cooperação internacional que poderá passar pelo arresto de alguns bens e património da empresária angolana em Portugal.

Já lá vai o tempo em que entre Portugal e Angola não havia visitas oficiais. Ontem, o procurador-geral da República, Hélder Pitta Grós, mal aterrou em Lisboa, abriu a porta para o que aí vem: “Vim pedir ajuda de muita coisa”.

Horas mais tarde entrou na Procuradoria-Geral da República para a reunião anunciada na véspera com a homóloga portuguesa, numa altura em que o caso Luanda Leaks tem destaque nos jornais de todo o mundo e que a justiça de Luanda já constituiu Isabel dos Santos e vários portugueses arguidos num processo em que se investiga má gestão e o desvio de recursos da petrolífera estatal.

Consigo, Hélder Pitta Grós terá trazido um pedido de cooperação internacional que, no limite, poderá significar o arresto de bens que a empresária angolana tem em território nacional, e a garantia, dada horas antes pelo primeiro-ministro português, de que Lisboa e Luanda têm um “total alinhamento de pontos de vista sobre” o assunto. Mas à saída da reunião, que durou cerca de uma hora e meia, nem uma palavra aos jornalistas por parte do homem que lidera o MP angolano, nem mesmo de Lucília Gago.

Entre Autoridades e Família, o cerco aperta-se Se, em Portugal, Isabel dos Santos foi o foco da reunião entre os dois procuradores-gerais, no exterior, a sua irmã Tchizé dos Santos, ex-deputada do MPLA, também decidiu colocar mais um pouco de pressão.

“Como cidadã, esquecendo que sou irmã da eng.a Isabel, eu, sabendo que tem ativos em Angola e fora, eu, se estivesse no lugar da cidadã Isabel dos Santos, mesmo que o dinheiro fosse todo lícito, o Estado angolano está a deixar muito claro que precisa urgentemente que a eng.a Isabel transfira algumas divisas para Angola”, afirmou numa declaração à Lusa, dando a entender que a empresária deveria ceder.

“Quanto mais não fosse, em consideração aos trabalhadores [das sociedades de Isabel dos Santos], devia tentar negociar um valor a transferir para Angola para fazer novos investimentos, ainda que o dinheiro seja todo ele lícito”, acrescentou a antiga deputada à Assembleia Nacional, concluindo que Isabel dos Santos deveria reconhecer que é o Presidente quem manda: “[Devia pensar assim:] ‘Para além de tudo o que já investi e dos empregos que já gerei, e apesar de toda esta confusão, é o Presidente da República que manda”.

“Vamos resolver isso, Angola é de todos, vamos resolver o problema do país”, desafiou Tchizé, que ontem também fez saber que tem sido alvo de tentativas de silenciamento e ameaçada de que terá a vida pessoal e profissional destruída caso não venda as participações que detém em várias empresas.

A estranha morte do gestor que já tinha tentado suicídio

Nuno Ribeiro da Cunha, 45 anos, era um dos homens que carregavam mais informações sobre as contas de Isabel dos Santos – foi este gestor que, por exemplo, autorizou uma das transferência de mais de 38 milhões de dólares de uma conta da Sonangol no EuroBic, no dia seguinte à exoneração de Isabel dos Santos da petrolífera estatal, para uma conta de uma offshore detida e gerida por pessoas da sua confiança (outras duas transferências foram feitas nesse dia para o mesmo destino, perfazendo perto de 58 milhões de dólares).

O diretor do private banking do EuroBic foi encontrado morto na noite de quarta-feira, na garagem de sua casa, tendo a polícia a forte convicção de que se enforcou.

Como já tinha sido noticiado, Nuno Ribeiro da Cunha fora encontrado no início do mês pela empregada, na sua casa de férias, com ferimentos, tendo na altura dito que se tentara matar devido a uma depressão. Duas semanas após esse incidente apareceu morto em sua casa, no Restelo.

Quando as equipas da polícia e do INEM chegaram ao local, ainda foram feitas manobras de reanimação, mas sem sucesso. Ainda que nenhuma linha de investigação seja descartada, ontem, o diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, deixou claro que tudo indica que não tenha havido intervenção de terceiros em nenhum dos episódios.

O diretor da Polícia Judiciária acrescentou ainda, em conferência de imprensa, que as autoridades têm estado a colaborar com as congéneres angolanas e que, caso seja solicitado, aquela polícia está preparada para responder “com todo o rigor”.

Saídas da NOS e o pedido de dados à GALP e a auditores Jorge de Brito Pereira, Mário Filipe Moreira Leite da Silva e Paula Cristina Neves Oliveira deixaram de ser administradores não executivos da Nos, tendo a operadora comunicado as saídas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Todos têm ligações à empresária angolana – que, juntamente com a Sonae, detém 52,15% do capital da operadora – e esse é o motivo da saída. Dois deles, Paula Oliveira e Mário Leite da Silva, foram já constituídos arguidos pela justiça de Luanda.

A CMVM, enquanto regulador, iniciou ações de supervisão que passam pelo pedido de informações aos auditores e também às próprias empresas Nos e Galp.

* Com Felícia Cabrita

 

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