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Uma epidemia seguida ao minuto e que evolui a cada minuto

Uma epidemia seguida ao minuto e que evolui a cada minuto

Dreamstime Marta F. Reis 24/01/2020 08:09

A OMS considerou esta quinta-feira prematuro declarar emergência internacional, mas sublinha que a crise é séria. China suspendeu transportes em várias cidades, mas Wuhan só começou a monitorizar passageiros no dia 14, duas semanas depois da deteção do surto.

A epidemia está a ser acompanhada “a cada minuto do dia” e a qualquer momento o comité de emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) poderá voltar a reunir-se para emitir recomendações sobre o novo coronavírus detetado no início do mês na China e que esta semana deixou o mundo em alerta. Confirmou-se que é contagioso entre pessoas e seis países registaram os primeiros doentes, todos recém-chegados da cidade de Wuhan, onde se concentram a maioria dos casos.

A garantia de vigilância permanente foi deixada esta quinta-feira pelo diretor da Organização Mundial de Saúde depois de uma segunda reunião em que os peritos se mostraram divididos sobre a gravidade da situação. A decisão foi não emitir para já uma declaração de emergência de saúde pública de importância internacional, mas isso não significa que a situação não seja séria, reforçou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A OMS considera que existe ainda pouca informação sobre o modo de transmissão do vírus e sobre as características e severidade da infeção, que provoca uma pneumonia atípica semelhante à causada pelo coronavírus SARS, que há 17 anos alastrou a 37 países e vitimou quase 800 pessoas em seis meses. A taxa de letalidade do novo vírus parece ser inferior à da epidemia de SARS, quando morreram 10% dos doentes infectados. Segundo a informação disponibilizada pelas autoridades chinesas, em 644 casos confirmados no país até quinta-feira à noite havia registo de 18 vítimas mortais. A transmissão entre humanos por via inalatória parece também ser limitada, tendo para já sido reportada só entre familiares próximos e profissionais de saúde que atenderam doentes infetados, não tendo havido um caso de contágio em contactos ao ar livre ou por exemplo em aviões, como aconteceu no SARS.

A OMS não defende restrições a viagens ou comércio com a China e recomendou apenas o rastreio de passageiros à saída dos países afetados, por exemplo com controlo de febre. Ainda assim alguns países já determinaram medidas à chegada, como questionários aos viajantes provenientes da China. Um passo que para já Portugal não implementou, dado que não tem voos diretos de Wuhan, que entretanto fechou o aeroporto. Chegam a Portugal semanalmente quatro voos de Pequim. A Direção-Geral da Saúde está a colaborar com a Embaixada da China e Serviços de Estrangeiros e Fonteiras mas, segundo o i apurou, para já não foi considerado necessário identificar pessoas que possam ter estado em Wuhan nas últimas semanas. A recomendação é para que viajantes com estadia na região e que apresentem sintomas sugestivos de doença respiratória procurarem atendimento médico, informando sobre a história de viagem.

China isola cidades e cancela festas do Ano Novo Com uma explosão de casos nos últimos dias – há uma semana as autoridades tinham reportado apenas 41 doentes – a China tomou medidas de força para tentar conter o vírus.

As celebrações do Ano Novo Chinês marcadas para este fim de semana foram canceladas e os transportes foram suspensos em cinco cidades, desde logo em Wuhan, onde o surto começou, mas também em Huanggang, Ezhou, Chibi e Zhijiang, todas na região central da China. Há no entanto receios de que possa ser tarde e que os casos continuem a aumentar e a aparecer noutras zonas do globo.

Wuhan só começou a fazer o controlo térmico dos passageiros que embarcavam no aeroporto da cidade no dia 14 de janeiro, duas semanas depois de ter sido detetado o surto. Pensa-se que o vírus deverá ter um período de incubação de uma semana, pelo que pessoas que o tenham contraído poderão só agora estar a ter sintomas. Ontem um virologista chinês admitiu que a situação pode tornar-se numa pandemia, com uma escala dez vezes maior que o SARS. Guan Yi, professor de doenças infecciosas na Universidade de Hong Kong e um dos peritos que estudou no terreno a epidemia de há 17 anos, esteve em Wuhan e diz ter ficado chocado com a falta de medidas. Numa entrevista publicada pela revista chinesa Caixin, disponível online, o especialista relata por exemplo a falta de desinfetante no aeroporto. Guan Yi admite que as autoridades poderão ter deixado passar o período para controlo da epidemia e que o fecho da cidade nos últimos dias poderá já não ser tão eficaz. “Já vi muito e nunca me senti tão assustado”, afirma. À hora de fecho desta edição, estavam a ser testados os primeiros casos suspeitos na Europa, seis no Reino Unido e um em Itália.

 

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