30/5/20
 
 
Marta F. Reis 23/01/2020
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

Não há espaço para racismo na polícia?

Se não há espaço para racismo na polícia, como é que o MAI demora três dias a anunciar um inquérito à atuação policial, no último domingo, na Amadora? 

A afirmação foi feita pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, quando discursou na cerimónia dos 152 anos da PSP. “Uma polícia das liberdades, onde não há espaço para o racismo, não há espaço para quem tolera violência doméstica, não há espaço para xenofobia num país que se orgulha de ter meio milhão de cidadãos estrangeiros, de a muitos atribuir a nacionalidade portuguesa, que se orgulha da forma como solidariamente acolhe migrantes, recebe refugiados e defende uma Europa sem muros, uma Europa de liberdade, de segurança e de justiça”. Passados seis meses, tudo volta a falhar. Se não há espaço para racismo na polícia, como é que o MAI demora três dias a anunciar um inquérito à atuação policial, no último domingo, na Amadora? Como é que a PSP, antes de um inquérito cabal, assume que o agente usou a força estritamente necessária para fazer face à resistência da mulher, que acusa a polícia de agressões e ofensas raciais? Ninguém diz que os polícias são todos racistas, que o uso de força não seja necessário, que, no limite, todos os procedimentos poderão ter sido seguidos neste caso, mas não é normal uma pessoa acabar com a cara naquele estado num episódio que começou com um pedido para apresentação do passe de uma criança de oito anos, no final de uma viagem de autocarro, e só isso devia ter motivado reserva e a garantia de uma investigação profunda. Não foi o que aconteceu e o resultado está à vista, num debate polarizado e de indignação crescente, logo capitalizada por quem está interessado em alimentar extremismos e ódio. Independentemente do que venha a concluir-se, o caso trouxe a prova inequívoca de que há espaço para racismo na polícia e que parece estar a escancarar-se; de outra forma, um sindicato na PSP não sentiria apoio para vir insinuar nas redes sociais que espera que o agente não tenha apanhado doenças graves – uma declaração arrepiante. A direção da PSP admitiu fazer queixa ao Ministério Público. Devia tê-lo feito de imediato.

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