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Riade. Bin-Salman novamente nas bocas do mundo por alegada interceção a telemóvel de Bezos

Riade. Bin-Salman novamente nas bocas do mundo por alegada interceção a telemóvel de Bezos

AFP Filipe Teles 22/01/2020 20:22

Arábia Saudita nega que tenha sabotado telemóvel de Bezos e pede uma investigação para se apurarem os factos.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin-Salman, está novamente nas bocas do mundo. O diário britânico The Guardian revelou esta terça-feira à noite, citando fontes anónimas, que Bin-Salman intercetou o telemóvel do bilionário Jeff Bezos, dono da Amazon e do jornal norte-americano Washington Post - uma acusação que a embaixada saudita em Washington apelidou de “absurda”. 

Quando recebeu uma mensagem no WhatsApp da conta do príncipe herdeiro, a 1 de maio de 2018, Bezos não suspeitou que estava a ser alvo de uma interceção. A mensagem continha um ficheiro de vídeo MP4, não se sabendo qual o seu conteúdo. 

Semanas antes, Bezos e Bin-Salman estiveram presentes num jantar em Los Angeles onde trocaram os respetivos números telefónicos. O príncipe herdeiro encontrava-se a realizar um périplo pelos Estados Unidos - de Nova Iorque a Los Angeles -, onde foi recebido pela Casa Branca, pelo MIT e pela Universidade de Harvard. Até se encontrou com a estrela de televisão Oprah, entre outras celebridades.

A viagem foi vista como uma estratégia de relações públicas, explica o Guardian, visando suavizar a imagem do príncipe herdeiro.

Após uma análise forense pedida por Bezos e partilhada com as Nações Unidas, chegou-se à conclusão, “com um elevado grau de probabilidade”, de que o ficheiro continha um vírus malicioso e que este extraiu um largo montante de dados do telefone do bilionário. O Washington Post, citando um documentário por estrear, diz ser o Pegasus - um programa de hacking que extrai dados depois de se clicar num determinado link

Em tempos, Bezos e Bin-Salman mantiveram uma relação próxima. Durante anos negociaram a abertura de três centros de dados da Amazon na Arábia Saudita, num investimento que totalizaria mil milhões de dólares (900 milhões de euros). Mas o que outrora foi uma amizade promissora tornou-se uma relação azeda. 

Uma das razões para a deterioração da relação entre ambos terá sido a colaboração do Washington Post com Jamal Khashoggi, antigo conselheiro da monarquia saudita autoexilado nos EUA que foi assassinado em 2018 na embaixada saudita em Istambul, Turquia. Khashoggi tornara-se um dos maiores inimigos de Bin-Salman, adjetivando a repressão saudita como “insuportável”, em 2017.

Em reação à notícia, as Nações Unidas instaram os EUA e outros a iniciarem “imediatamente” uma investigação sobre a “provável” interceção do telefone de Bezos. “A informação que recebemos sugere o possível envolvimento do príncipe herdeiro na vigilância do sr. Bezos, num esforço para silenciar a cobertura do Washington Post”, disseram os especialistas da ONU, citados pela Associated Press

Na quarta-feira, a embaixada saudita na capital norte-americana pediu no Twitter uma investigação a estas “alegações”- qualificando-as de absurdas - para que se possam “determinar todos os factos”. 
 

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