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Carlos Carreiras 22/01/2020
Carlos Carreiras

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Em Cascais, gostamos de visitar o futuro

O nosso posicionamento externo também se faz por afirmação de Cascais como palco de grandes eventos. Continuamos a trabalhar o marketing territorial com as melhores provas desportivas, como o Full Iron Man e o Estoril Open.

Em política, em funções executivas, não se pode governar a olhar pelo retrovisor. É a antecipar, a descortinar tendências, que se constrói um amanhã mais competitivo e mais próspero para os nossos cidadãos. Gostamos de visitar o futuro.

Temos muito clara a perceção de que a concorrência dos municípios portugueses não está no concelho do lado. Isso era verdade na velha tradição paroquial portuguesa. Mas num país europeu, democratizado, que trocou a mão-de-obra tradicional por “cérebros-de-obra” jovens e ambiciosos, sabemos que a competição para as nossas cidades vem de outros lugares, de outros municípios que connosco concorrem à escala europeia e global.

Conscientes disto, em Cascais desenhamos uma estratégia que ataca em duas frentes: na frente interna pretende democratizar o desenvolvimento e a prosperidade; na frente externa, posiciona o nosso concelho como destino primordial para uma geração que tem o desejo de viver com qualidade de vida superlativa, para os empresários que têm a aspiração de sustentabilidade e para as instituições que acreditam ter poder para mudar o mundo para melhor.

Essa nossa estratégia está assente em sete pilares.

A educação é o primeiro pilar. Desde logo porque é a educação o maior elevador social, o maior neutralizador de desigualdades. Com um pacote de investimentos superior a 40 milhões de euros na recuperação de escolas secundárias, até aqui ao cuidado do Estado Central, e já depois de termos investido dezenas de milhares de euros nas escolas primárias e nos jardins-de-infância, teremos em Cascais um parque escolar municipal totalmente renovado até 2023. Para que rigorosamente todos tenham acesso a uma educação pública de qualidade. Se a educação é, como disse, a grande alavanca social, o conhecimento é o ativo mais indispensável para a afirmação das nações do século XXI. É nas Universidades, nas Academias, que se fomenta o conhecimento. Depois de termos inaugurado, há sensivelmente um ano e meio, a NOVA SBE em Carcavelos, preparamo-nos para criar a Baía do Conhecimento: um eixo de prosperidade assente na ideia de universidade que compreenderá, para além da SBE, a Nova Medical School (faculdade de medicina), o Advanced Health Education (centro de estudos pós-graduados em saúde com investigação de topo), a renovada Escola Superior de Saúde de Alcoitão e uma ampliada e melhorada Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (uma das melhores escolas do mundo, com o carimbo exclusivo da Organização Mundial de Turismo). Contas feitas, Cascais terá até 2021 iniciado as infraestruturas para ter uma capacidade instalada para 20 mil alunos universitários. Um incremento exponencial de talento, de tolerância e diversidade.

O Ambiente é o segundo pilar. Tenho orgulho de liderar um executivo que tem os mais baixos indicadores de licenciamentos na história de Cascais dos últimos 20 anos. Damos prioridade às pessoas e ao ambiente sem cristalizar o território. Provamos que é possível compatibilizar ecologia e desenvolvimento: chama-se a isto sustentabilidade. Temos apostado muito na recuperação de passivos ambientais. Começámos a devolver à população 27 pinhais municipais, criámos uma ZIF no Parque Natural e em breve reflorestaremos o fundo do mar. Arrancámos com o grande Plano de Requalificação da Ribeira de Sassoeiros, perfazendo 14 hectares de área intervencionada, a criação de 1.8 km de áreas pedonais e clicáveis e de 35 hectares de novos espaços verdes e galerias ripícolas. Como somos ambiciosos, estamos a trabalhar para neutralidade carbónica já em 2020.

Ligado ao ambiente e à sustentabilidade encontramos o terceiro pilar, um dos mais badalados nos últimos tempos: a mobilidade. Como tem sido público, Cascais é desde o início do ano o primeiro concelho do país com mobilidade rodoviária interna totalmente gratuita. A adesão dos cascalenses tem sido encorajadora. Mas queremos mais: queremos integrar o comboio na oferta de mobilidade. Encetámos negociações com a CP para que esse cenário se concretize. Espero ter novidades em breve. Até lá, continuamos a abrir caminho numa operação sem paralelo em Portugal. E que tem potencial para crescer: já imaginou uma grande zona de mobilidade livre na área Metropolitana de Lisboa, capaz de inspirar o país e a Europa?

Porque a Mobilidade também se faz pelo Ar e pelo Mar, dedicámos 3 milhões de euros a melhoramentos na estrutura aeroportuária de Cascais (cada vez mais dedicada à aviação executiva e à formação de pilotos) e entidades privadas avançam para profundos trabalhos de requalificação da Marina de Cascais.

Se lhe parece que a nossa estratégia reforça áreas estruturais do Estado Social, não é por acaso: é que estamos mesmo a refazer o Estado Social a partir da sua dimensão Local. Reforçamos a nossa aposta na saúde, o quarto pilar, com mais de 15 milhões de euros dedicados à construção de dois novos Centros de Saúde (Carcavelos e Cascais) e ampliação de outro (São Domingos de Rana). Temos uma visão democrática da Cultura, o quinto pilar do nosso Estado Social, e depois de termos batizado o Bairro dos Museus, lançámos a Vila das Artes no Monte Estoril que tem como âncora o novo Edifício Cruzeiro – albergará, entre outros equipamentos, um auditório, a Escola de teatro do TEC, uma biblioteca de cinema e a Cascais School of Arts and Design.

A Habitação não é apenas o sexto pilar da nossa estratégia, é também uma das áreas de maior pressão social. Com uma dotação de 150 a 200 milhões de euros, temos planos muito avançados para criar 3000 novas casas a preços acessíveis para a classe média e jovens do concelho. Queremos proteger as famílias e dar uma oportunidade aos jovens de se fixarem no seu concelho.

A consistência desta estratégia materializa-se no sétimo pilar: o emprego. Cascais não só tem apenas uma das taxas de desemprego mais baixas do país, como está apostada em trazer esses números ainda mais para baixo. Por via de um posicionamento competitivo, atrativo para empresas e instituições, estão a ser criados postos de trabalho em todas as freguesias. O complexo empresarial da Quinta da Alagoa, onde antes uma fábrica estava cravada no meio de um bairro residencial, é disso um bom exemplo: trocamos indústria pesada por serviços, mão-de-obra por cérebro-de-obra.

Mas porque o nosso posicionamento externo também se faz por afirmação de Cascais como palco de grandes eventos, continuamos a trabalhar o marketing territorial. Com as melhores provas desportivas (como o full Iron Man e o Estoril Open, que trazem milhares de visitantes ao concelho) ou, como somos ecléticos, com grandes reflexões sobre o mundo. Em 2020, e numa associação de Cascais com a Advanced Leadership Foundation e o “Politico”, seremos orgulhosos anfitriões do “Future of Politics”. Um fórum que trará até ao nosso país os grandes pensadores da atualidade.

Porque ontem, como hoje, Cascais quer continuar a liderar o amanhã.

 

Presidente da Câmara Municipal de Cascais

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