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José Cabrita Saraiva 21/01/2020
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

De quem é a culpa de os ricos serem cada vez mais ricos?

Nas vésperas da Revolução Francesa, a riqueza também estava escandalosamente mal distribuída (a nobreza, que constituía talvez cerca de 1% da população e pouco produzia, detinha qualquer coisa como metade das terras de França). E sabemos no que deu

O relatório da Oxfam que tradicionalmente vem a público a propósito do Fórum de Davos – uma espécie de clube dos ricos e poderosos, na Suíça – insiste ano após ano na tecla da desigualdade. De facto, custa a engolir que apenas 1% de bilionários detenham mais riqueza do que 60% da população mundial. Nas vésperas da Revolução Francesa, a riqueza também estava escandalosamente mal distribuída (a nobreza, que constituía talvez cerca de 1% da população e pouco produzia, detinha qualquer coisa como metade das terras de França). E sabemos no que deu.

Mas podemos também olhar para a questão de outra maneira:_quem são os homens e mulheres com as maiores fortunas e como chegaram lá? Logo no topo encontramos Jeff Bezos. Hoje, a Amazon é o gigante que é e poucos se lembram de que nos primeiros anos deu milhões e milhões de prejuízo. Bezos esteve com a corda na garganta, mas persistiu, aguentou, e fez da sua empresa o maior e mais lucrativo negócio do planeta.

Seguem-se Bernard Arnault, o homem-forte do luxo (grupo Louis Vuitton), Bill Gates, o criador do Windows, o investidor Warren Buffett, Mark Zuckerberg, do Facebook, e Amancio Ortega, patrão da Zara.

Olhando para a lista, não é difícil perceber que, tirando Warren Buffett (e Arnault, cujo negócio se destina só a alguns), todos eles estão onde estão não por obra e graça de uma conspiração mundial, mas porque o cidadão comum os colocou lá. São as pessoas que têm a sorte de poder comprar livros na Amazon (mea culpa), de usar um computador com o Windows, de ter um perfil no Facebook e de comprar roupas na Zara que fazem deles os magnates que são. No fundo, trata-se de uma espécie de democracia global cujos representantes são eleitos não através de uma consulta por voto mas sim da escolha do consumidor.

Estes bilionários não só inventaram ou fabricam produtos que todos querem usar como dão emprego a muita gente e vários deles ainda contribuem com muitos milhões para filantropia. Detêm demasiado poder e riqueza, é verdade. E lá terão os seus defeitos. Mas, apesar de tudo, assim de repente consigo lembrar-me de várias figuras por esse mundo fora, eleitas ou não, bem mais sinistras e temíveis.

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