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China confirma 205 doentes com novo vírus, mas responsável descarta epidemia igual ao SARS

China confirma 205 doentes com novo vírus, mas responsável descarta epidemia igual ao SARS

Marta F. Reis 20/01/2020 20:13

A cidade de Wuhan continua a ser o epicentro da infeção respiratória, mas já foram detetados casos em Pequim e Guangdong. Autoridades chinesas confirmam transmissão entre humanos

As autoridades chinesas atualizaram esta segunda-feira o número de doentes infetados com o novo coronavírus associado a quadros de pneumonia grave. Segundo o novo balanço, até ao momento há 205 casos confirmados e o virus já provocou três mortes. O epicentro da infeção - que tem feito soar os alarmes dada a semelhança com o coronavírus SARS, que entre 2002 e 2003 vitimou 800 pessoas no espaço de seis meses – continua a ser a cidade de Wuhan, mas já foram detetados casos em Pequim, Shanghai e Guangdong. Foram também confirmados quatro casos fora da China, dois na Tailância, um no Japão e outro na Coreia da Sul. 

A origem da doença ainda está a ser investigada, sendo que a grande maioria dos casos foram ligados a um mercado de peixe e marisco em Wuhan, encerrado desde o início do ano. A hipótese mais provável é o contágio a partir de animais infetados, sendo que os morcegos são os principais hospedeiros de coronavírus.

As autoridades chinesas confirmaram também novos casos de transmissão entre humanos, o que reforça a evidência de contágio entre pessoas, mas os responsáveis acreditam que esse risco é limitado. Zhong Nanshan, líder da equipa de investigação da Comissão Nacional de Saúde chinesa, adiantou esta segunda-feira ao “Daily China” que foram registados dois casos de transmissão humana na província de Guangdong, pessoas que adoeceram sem nunca ter estado em Wuhan e que terão contraído o vírus de familiares recém-regressados da cidade. Zhong Nanshan revelou também que já há houve casos de profissionais de saúde infetados. Quanto ao aumento dos casos notificados, que triplicam neste último balanço, o responsável explicou que se prende essencialmente com um novo método de teste de casos suspeitos, mais eficaz, e de intruções às autoridades para que notifiquem os casos logo que haja dois testes positivos a confirmar o novo vírus, classificado como 2019-nCoV. Até aqui a confirmação estava dependente da intervenção do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China.

Apesar de ser previsível que os casos continuem a aumentar, Zhong Nashan descarta um cenário como o que se viveu há 17 anos com o SARS, que chegou a 37 países e afetou mais de 8000 pessoas. “Identificámos o novo virus apenas duas semanas depois de ter sido detetado o surto e temos medidas muito boas de monitorização e quarentena”, disse ao mesmo jornal. “Acredito que o surto não terá o impacto na sociedade e na economia que o SARS teve há 17 anos”.

Europa, em alerta, considera que risco de importação do vírus é baixo

O Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC) reforçou esta segunda-feira que o risco de introdução do vírus na Europa é considerado baixo. Ainda assim há três aeroportos na UE com voos diretos para Wuhan e outras ligações indiretas e o organismo reconhece que as celebrações do ano Novo Chinês no final do mês vão aumentar o número de viajantes quer dentro da China quer para o estrangeiro, o que aumenta a probabilidade de chegarem doentes infetados à Europa.

A Direção Geral da Saúde reforçou também esta tarde a informação veiculada pelo ECDC, considerando no entanto que “da investigação em curso não há evidência, até à data, de transmissão pessoa-a-pessoa sustentável.” Em comunicado, a DGS diz estar a acompanhar a situação, reforçando as recomendações para os viajantes que tenham como destino a região da China afetada pelo vírus. Devem evitar contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas; lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes, evitar contacto com animais e adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo).

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