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Luís Newton 15/01/2020
Luís Newton
Opinião

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O futuro do PSD e o princípio de Peter

 “Num sistema hierárquico, todo o indivíduo tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência”

A maravilha da democracia (dos países e dos partidos) reside na oportunidade de qualquer individuo demonstrar as suas capacidades e com isso ter possibilidade de ascender na escala de responsabilidades.

Porém, como tudo na vida, temos limites que resultam de condicionantes, intrínsecas ou externas, e que de uma forma ou de outra nos fazem atingir o limite dessa capacidade de influenciar positivamente o que nos rodeia.

O maior sinal de inteligência é sabermos ler os indicadores do nosso desempenho e ter a dimensão para compreendermos se estamos a comprometer a nossa utilidade.

E, ao comprometermos a nossa utilidade, estamos a comprometer a eficácia do serviço que queremos prestar, prejudicando os destinatários desse mesmo serviço.

Para os amantes dos clássicos tenho que parafrasear o General romano Júlio César, que dizia sempre aos seus militares que qualquer “soldado tem direito a um comando competente”.

Na política os comandantes que nos conduzem são os líderes partidários, mulheres e homens de quem se espera visão, arrojo e um rumo claro.

E, por isso, eu escolhi seguir Miguel Pinto Luz.

Um homem que representa o futuro de um partido desassombrado, mas que infelizmente ainda não obteve, de uma maioria do partido, a confiança para liderar os destinos do PSD.

Na realidade, no passado dia 11 de janeiro, a única maioria absoluta que emergiu foi uma maioria que votou pela mudança (51%). É inequívoco.

No legado de Francisco Sá Carneiro registamos duas importantes máximas: primeiro que antes do Homem vem o Partido e que antes do Partido vem o País. E, a segunda, é que a Democracia é difícil e exigente mas que dela não nos devemos demitir.

Ora, destas duas, resulta claro que, quem apoiou Miguel Pinto Luz, não se pode demitir de participar na decisão do futuro do Partido, que também é a decisão para o futuro do País.

Por isso, a reflexão que partilho é a da avaliação dos dois homens que continuam a esgrimir argumentos para a liderança do PSD.

De um lado está alguém que apresenta uma estratégia que apelidou de “Portugal ao Centro”, algo que Teresa Leal Coelho já havia testado nas autárquicas de 2017 em Lisboa, provando ser, mais do que uma estratégia desastrosa, um rotundo disparate que reduziu o PSD a uns míseros 11%.

Porém Rui Rio não alterou o rumo, mesmo com o desastre no horizonte, e levou o PSD às legislativas de 2019, exatamente com a mesma estratégia, obtendo exatamente os mesmos resultados: a pior derrota na história moderna do PSD.

E o mais extraordinário é que para 2021, Rui Rio nos diz que “não vai mudar nada”.

Ora, eu pergunto aos militantes do PSD, se não vai mudar nada, como espera resultados diferentes?

É por não mudar que Rui Rio será no futuro o mesmo homem que não se apresenta como uma alternativa a António Costa.

É bom não esquecer que Rio esteve ao lado de Costa nas críticas a Pedro Passos Coelho, num momento crítico para o País. E quem mais tarde, ao abandonar a Câmara do Porto, procurou destruir a candidatura do PSD a essa mesma Câmara?

Não muda e não mostra visão e arrojo, sendo que o único rumo que nos aponta é o caminho para a irrelevância política no panorama nacional.

Por tudo isto parece-me evidente que Rui Rio quer acabar “orgulhosamente só”, num sinal claro de que atingiu o limite da sua capacidade para influenciar positivamente o que nos rodeia. Mas não tem de levar o PSD consigo.

Luís Montenegro, por seu turno, quer promover a mudança, a união, tem arrojo, é agregador, não “compra brigas porque estão em saldo” e tem um rumo claro para um projeto político mais forte, para um Portugal mais forte.

Por isso, enquanto militante do PSD, sou um social democrata que continua a exigir um comando competente.

E é essa competência que vejo em Luís Montenegro e é por isso que o vou apoiar.

 

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