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PSD. A guerra pela liderança nas diretas endureceu e já há suspeitas de ofertas de lugares

PSD. A guerra pela liderança nas diretas endureceu e já há suspeitas de ofertas de lugares

Cristina Rita 15/01/2020 11:02

Montenegro lança dúvida sobre promessas de cargos do lado de Rio. Salvador Malheiro nega e responde: “Percebo o seu nervosismo”.

O tom da campanha interna no PSD para a corrida à liderança endureceu. Ontem, o candidato e antigo líder parlamentar do partido Luís Montenegro deu uma conferência de imprensa em que recusou que tenha oferecido qualquer lugar para o futuro no despique eleitoral interno. Contudo, deixou no ar uma suspeita: “Parece que há pessoas que, com ou sem conhecimento do dr. Rui Rio, andam a falar de eleições autárquicas, de listas para o futuro”.

A declaração, citada pela Lusa, resulta de um período de 48 horas em que os dois candidatos, Rui Rio e Luís Montenegro, procuram somar apoios junto dos militantes que votaram em Miguel Pinto Luz (que ficou fora da corrida) e convencer quem se absteve na primeira volta, no passado dia 11. O combate eleitoral faz-se agora porta a porta, tanto de um lado como do outro, e Montenegro sentiu necessidade de responder a Rio sobre a acusação que fez na noite eleitoral da primeira volta.

O presidente e recandidato a líder do PSD, Rui Rio, lembrou na noite eleitoral que não ofereceu lugares a ninguém. Montenegro ripostou ontem: “Quero dizer aqui solenemente uma coisa: não convidei ninguém, não ofereci lugares a ninguém, mas não estou certo de que Rui Rio e seus apoiantes não andem a fazer isso um pouco por todo o país”, declarou o candidato, citado pela TSF.

Do lado de Rui Rio, o coordenador da sua campanha, Salvador Malheiro, também já respondeu. “Refuto liminarmente. Cada voto em Rui Rio é um voto de pura convicção, pois deste lado nunca houve nem haverá troca de lugares por votos ou apoios. Percebo o seu nervosismo, já que uma larga maioria dos militantes do PSD, cerca de 60%, disseram no passado sábado que não querem Luís Montenegro como líder do PSD”, afirmou ao i o também vice-presidente do partido.

Horas mais tarde, Hugo Soares, apoiante de Montenegro e ex-líder parlamentar, insistiu na mesma tecla aludindo a “convites” feitos no passado por pessoas com responsabilidades na equipa de Rio. Numa curta entrevista, na RTP3, Hugo Soares assegurou que se Montenegro ganhar, “contará com todos” no PSD e que Rio “não tem feito mais nada do que atacar” o partido.

 

A graçola do Zequinha

Este caso soma-se a outro que começou com uma guerra no Twitter. Primeiro, Rui Rio adaptou uma anedota de um diálogo entre a professora e o Zequinha. “Professora: Qual é a diferença entre um desastre eleitoral e um resultado jeitoso? Zequinha: 0,4%, sra. professora, porque quando, em outubro, o PS teve mais 8,5% do que o PSD, eles acharam que houve um desastre. E agora que perderam por 8,1%, acham que tiveram um resultado jeitoso”, escreveu Rui Rio na referida rede social. O seu adversário respondeu-lhe à letra também no Twitter: “A arrogância desta graçola não enobrece a política, o PSD e o seu autor. Quando o país e o nosso PSD precisavam de um debate televisivo sério e esclarecedor, Rui Rio recusou-o por ter medo que fosse desprestigiante. Percebe-se mais uma vez porquê... e por quem!”, atirou Montenegro, depois de vários dos seus apoiantes terem contestado o registo humorístico de Rui Rio.

Por exemplo, Carlos Abreu Amorim, ex-deputado e apoiante de Montenegro, considerou que “pode ser que existam militantes e simpatizantes do PSD que apreciem este estilo de liderança feito de piadolas e brejeirice. Eu, não. Um líder do PSD tem de ser mais e melhor do que isto”.

Já Rui Rio considerou, numa entrevista à Antena 1, que não quis “zombar” de ninguém “Isso não é zombar, por amor de Deus. É utilizar a ironia. É uma resposta em tom de brincadeira (...) Sou um apreciador de humor”. Depois acrescentou que “o PSD não pode mudar de líder como quem muda de camisa. (...) Não pode andar a triturar líderes”. E assegurou que no dia 18 não é a sua carreira que está em jogo: “Eu estou aqui porque tenho disponibilidade para servir o país em nome do PSD, não é a minha carreira e a minha ambição pessoal que estão em jogo”.

Ontem, a candidatura de Montenegro recebeu os apoios de Marco António Costa, antigo vice-presidente do PSD, tal como de Hugo Neto, líder da concelhia do PSD/Porto, e de Alexandre Poço, dirigente nacional da JSD, todos ex-apoiantes de Pinto de Luz.

Entretanto, na Madeira está tudo preparado para boicotar a segunda volta e as urnas não abrirem no dia 18, depois dos mais de 1600 votos do passado dia 11 não terem sido contabilizados por não cumprirem os regulamentos do PSD nacional.

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