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As diretas no PSD e os desafios de recuperar e unir o partido

As diretas no PSD e os desafios de recuperar e unir o partido

Diana Tinoco Cristina Rita 11/01/2020 11:29

Rio e Montenegro apostam na vitória à primeira volta. Mas estão preparados para uma segunda ronda. Já Pinto Luz conseguiu o objectivo. E destacados militantes adiantam quais as prioridades para o líder, seja quem for.

Os prognósticos fazem-se no fim do jogo. A frase futebolística serve para caracterizar o desfecho da noite eleitoral deste sábado nas eleições diretas no PSD. Mas há duas certezas. Primeiro, dois candidatos,  Rui Rio e Luís Montenegro, apostam numa vitória já hoje, mas se houver novo teste eleitoral,  estão preparados para uma nova ronda, prevista para dia 18. Segundo, o candidato Miguel Pinto Luz veio baralhar as contas aos seus dois adversários e já reclamou (num vídeo polémico) ser a surpresa da noite, passando para a etapa seguinte, num cenário em que nenhum dos concorrentes consegue 50% dos votos mais um e os militantes serão chamados novamente às urnas.

Ganhe quem ganhar, seja este sábado, seja no próximo, o novo presidente do PSD terá alguns desafios pela frente em dois anos de mandato. O SOL  ouviu alguns antigos dirigentes do PSD ou ex-governantes e o discurso converge no mesmo sentido: unir e recuperar o PSD, não permitir que o partido se feche em si mesmo e demonstrar que é a alternativa de poder, sendo que as  autárquicas de 2021 serão o grande teste do próximo presidente social-democrata.

Antigo ministro da Indústria de Cavaco Silva, Mira Amaral argumenta que o «desafio [para o próximo líder] tem de ser unir o partido para ter um excelente resultado nas autárquicas (...) Implica mobilizar o partido. Esse é o grande desafio desafio que o próximo líder vai ter», conforme explicou ao SOL.

Já  Silva Peneda, ex-presidente do Conselho Económico e Social, acredita que «a principal prioridade tem a ver com a análise» da atual situação do partido. «Hoje, o PSD tem uma flagrante ausência de quadros, a classe média afastou-se também do PSD e, portanto, a primeira prioridade é o PSD ser rejuvenescido e voltar a ter quadros profissionais competentes nas suas fileiras (...) e isso só pode ser feito se houver credibilidade por parte da equipa dirigente e do seu líder, sem isso vai ser difícil», advoga Silva Peneda, que dá alguma sugestões  para o novo mandato da liderança dos sociais-democratas. «O Conselho Estratégico Nacional é uma boa ideia e pode (...) ser muito mais desenvolvido, mas eu vou ao ponto de pensar (porque não) num modelo em que o líder do partido juntamente com os presidentes das distritais possam convidar personalidades profissionais, com a idoneidade pessoal consagrada, para participar nas reuniões a nível das comissões políticas distritais e nos plenários». A lista de propostas não termina por aqui. E o também membro do Conselho Estratégico Nacional (CEN) acredita ser  «vantajoso para o PSD ter um sistema em que houvesse primárias abertas a simpatizantes». Isto apesar desta solução ter de ser estudada e acautelar, por exemplo, que quem se registe como simpatizante do PS ( por exemplo) não o possa fazer no PSD.

Para Silva Peneda, este tipo de soluções serão necessárias porque «qualquer instituição que se fecha sobre si mesma, com o andar do tempo, deixa de ser útil». E faz, por fim, uma análise sobre o passado recente do partido, sem situar o problema numa liderança específica: «Julgo que o PSD, nos últimos tempos, tem-se fechado muito sobre si mesmo. A prioridade seria a de abrir o PSD a quadros, de voltar a ser o que já foi. Com certeza que ganhar as autárquicas é consequência desse trabalho», concluiu.

Leia aqui o aqui o artigo na íntegra

 

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