26/1/20
 
 
Carlos Zorrinho 09/01/2020
Carlos Zorrinho
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União Europeia – A potência decisiva

Vencedora ou vencida, a União Europeia é a potência decisiva para determinar o sentido da evolução do mundo em que vivemos.

Nas muitas análises prospetivas sobre a reconfiguração de um mundo em tensão elevada, subjugado entre o repentismo eleitoralista nos Estados Unidos da América e a consolidação estratégica da ambição hegemónica da China, a União Europeia é muitas vezes classificada como um satélite em risco, desgovernado, em erosão rápida de força e potência, sem os instrumentos de manipulação e condicionamento que estão ao alcance de outras potências regionais e procurando sobreviver com as velhas armas da prosperidade como o comércio livre, a sociedade aberta e multicultural, o Estado de direito forte e o sentido humanista das políticas.

Se a nova ordem global se afirmar em torno de nacionalismos fortes e populistas, restrições da liberdade e invasão dos direitos individuais, então a União Europeia ficará perante o tremendo dilema de ter de optar entre dois caminhos de humilhação. De se tornar irrelevante ou de perder a sua identidade e abandonar os seus valores estruturantes, para resistir ou implodir fora da sua zona de conforto e do seu espaço de racionalidade política.

Consciente da sua força como grande potência económica e do ataque concertado que o seu modelo de democracia aberta e plural tem vindo a sofrer de dentro e de fora das suas fronteiras, a União Europeia não pode hesitar. Nas grandes questões que vão definir o futuro da humanidade, a União ou lidera uma coligação vencedora inspirada nos valores da liberdade, da igualdade e da solidariedade, ou poderá esboroar-se enquanto grande parceria de paz, progresso e desenvolvimento.

Somos hoje o último reduto de um modelo civilizacional pacífico, plural e humanista. Temos de apostar em colmatar rapidamente as fragilidades que o assolam com políticas ativas nos pilares-chave que vão determinar o novo ciclo geopolítico, designadamente combatendo as desigualdades endémicas, liderando uma transição energética que salve o planeta e melhore a qualidade de vida das populações, aproveitando a revolução digital para marcar a diferença, colocando as pessoas e os serviços para as comunidades no centro estratégico, e gerindo de forma inteligente os fluxos demográficos e os incentivos à natalidade para assegurar um tecido social dinâmico, múltiplo e sustentável.

Se conseguirmos unir-nos em torno desta agenda, aprofundada na conferência sobre o futuro da Europa proposta por Macron e em fase de lançamento, poderemos constituir o árbitro do choque de civilizações cada vez mais iminente, oferecendo ao mundo em alternativa um modelo de convergência em que todos poderão partilhar um novo ciclo de paz e convivência multilateral. Não é um exercício fácil, mas temos a absoluta obrigação de o tentar, e, primeiro que tudo, temos a absoluta obrigação de, como passo de credibilização, colocá-lo em prática nas nossas políticas internas.

Vencedora ou vencida, a União Europeia é a potência decisiva para determinar o sentido da evolução do mundo em que vivemos. Nós, europeus, somos chamados a uma escolha primordial. O que cada um fizer, em concreto, no quadro de uma visão mobilizadora alargada, vai contar para a história do futuro.

 

Eurodeputado

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