26/1/20
 
 
José Cabrita Saraiva 07/01/2020
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

“Cada vez haverá menos chuva em Portugal”

País nenhum pode entregar a sua sobrevivência ao improviso e muito menos ao acaso ou aos caprichos da natureza.

Bem antes de as alterações climáticas se tornarem moeda corrente na discussão pública, já muitos chamavam a atenção para a desertificação do território português a médio prazo. Os especialistas andam há anos e anos a avisar que ao longo das próximas décadas a paisagem do norte de África terá tendência para alastrar e entrar pela Península Ibérica adentro. Tal como aconteceu há 1300 anos com a grande invasão muçulmana de 711, também esta será avassaladora e traumática. 

E ainda assim, tirando a Barragem do Alqueva (um projeto aprovado no longínquo ano de 1975, recorde-se) pouco ou nada foi feito nos últimos anos para evitar ou pelo menos para debelar o problema.

Se, neste início de 2020, a situação não é ainda mais crítica só às chuvadas de dezembro, que tantos estragos causaram, o devemos. Não fosse a passagem das depressões Elsa e Fabien e uma série de barragens estariam a atingir um ponto de rutura, em risco de insustentabilidade num prazo de dois ou três anos, como revela nesta edição o presidente da Quercus, Paulo do Carmo. (Já agora, seria interessante saber quanta dessa água se aproveitou e quanta simplesmente foi pelo cano abaixo.)

O que parece evidente, em todo o caso, é que país nenhum pode entregar a sua sobrevivência ao improviso e muito menos ao acaso ou aos caprichos da natureza. Pelo contrário, tem de se precaver contra esses caprichos. Até porque, segundo Paulo do Carmo, “cada vez haverá menos chuva em Portugal”.

Face a essa perspetiva, como é possível que, ano após ano, continuemos à mercê dos humores da meteorologia? Porque temos de estar sempre com o coração nas mãos à espera que chova? Custa a compreender que sucessivos Governos não tenham tomado medidas muito firmes e concretas para assegurar a capacidade para aproveitar, armazenar e distribuir a água das chuvas consoante as necessidades.

É que, até ver, a principal medida tomada pelos responsáveis políticos nesse sentido é aconselhar os cidadãos a pouparem água. Porque não dão o exemplo e poupam eles?

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