29/9/20
 
 
Vítor Rainho 06/01/2020
Jornal i

vitor.rainho@ionline.pt

PJ tem de dar prioridade máxima à morte de cabo-verdiano

Os dados disponíveis são escassos, mas a Polícia Judiciária tem de ser rápida a interrogar as testemunhas para conseguir deter os agressores. É que numa altura em que se dispara primeiro e pergunta-se depois, não falta quem diga que por detrás desta agressão covarde estarão motivações racistas, levando já responsáveis cabo-verdianos a declarar que é preciso rever o protocolo com Portugal no que diz respeito ao envio de estudantes universitários.

A morte do jovem cabo-verdiano que foi agredido barbaramente em Bragança, a 21 de dezembro, tendo morrido uns dias depois num hospital do Porto, merece uma resposta rápida das autoridades portuguesas, por forma a acabar com as especulações.

Segundo alguns relatos, 15 jovens armados com cintos de ferro e paus decidiram agredir Luís Rodrigues - estudante de Design de Jogos Digitais, no Instituto Politécnico de Bragança (IPB) - depois de se terem desentendido num bar. Ao que consta, os agressores esperaram por Luís Rodrigues no exterior do bar e decidiram espancá-lo barbaramente.

Os dados disponíveis são escassos, mas a Polícia Judiciária tem de ser rápida a interrogar as testemunhas para conseguir deter os agressores. É que numa altura em que se dispara primeiro e pergunta-se depois, não falta quem diga que por detrás desta agressão covarde estarão motivações racistas, levando já responsáveis cabo-verdianos a declarar que é preciso rever o protocolo com Portugal no que diz respeito ao envio de estudantes universitários.

É lógico que há aqui um aproveitamento político, pois mesmo que se prove que os 15 energúmenos que espancaram Luís Rodrigues o fizeram por questões racistas - um dos crimes mais hediondos -, vai colocar-se em causa o futuro de tantos jovens que encontram em Portugal as ferramentas para descobrirem um futuro melhor?

Quantos alunos oriundos dos países africanos de língua oficial portuguesa estudam em Portugal? Quantos polícias, militares e médicos, além de doentes, entre outros, encontram em Portugal um país que lhes dá condições para evoluírem? Seria por causa de 15 pessoas que terão de responder perante a justiça que se colocaria tudo em causa? Já agora, a maioria dos partidos repudia as notícias que falam em etnias sempre que há confrontos. Por que razão agora a etnia é o foco principal das notícias? Mas têm provas desse racismo que afirmam? Quando um português é agredido em Cabo Verde, Angola ou Moçambique esses partidos também falam em racismo? Calculo que não, até porque o colonialismo deve ter estado na origem dessas agressões. Resumindo: Portugal não é um país racista, mas não deixa de os ter, como todas as outras nações. Confundir meia dúzia de cretinos com um povo, além de perigoso, é desonesto. 

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