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Homem em cadeira de rodas protesta depois de ser impedido de entrar em autocarro da Carris por condutor

Homem em cadeira de rodas protesta depois de ser impedido de entrar em autocarro da Carris por condutor

Facebook jornal i 03/01/2020 15:58

A situação ocorreu esta quarta-feira, de madrugada, na Praça Martim Moniz. 

Um homem dependente de uma cadeira de rodas decidiu bloquear a passagem de um autocarro, em Lisboa, em forma de protesto, depois de lhe ter sido negada a entrada.

A situação ocorreu esta quarta-feira, de madrugada, na Praça Martim Moniz. Sérgio Alexandre Lopes partilhou a sua história na sua conta de Facebook. Segundo o testemunho do homem, a rampa do autocarro 208 estava avariada e como solução para o problema, o motorista sugeriu-lhe esperar pelo autocarro seguinte.

"O autocarro chegou às 02h40 e a rampa estava avariada. A temperatura era de cerca de nove graus e a primeira coisa que o motorista disse, pela janela, depois de ter tentado acionar umas seis vezes o dispositivo, foi: "vai ter que esperar pelo próximo", pode ler-se na publicação.

"Perguntei-lhe qual a alternativa que a Carris me daria e ele insistiu que eu teria que "esperar pelo próximo". Os passageiros foram informados, por nós, do motivo do bloqueio, da descriminação que a Carris promove diariamente, do descaso com que são tratadas as pessoas com mobilidade reduzida. Um dos passageiros que mais apoiou a nossa decisão, chamou a PSP", pode ler-se. 

"Entretanto, com autocarro impedido de avançar, tenho todo o tempo para descrever a situação aos agentes da PSP. Reforço que a situação é constante e, naquele contexto, tudo se torna ainda mais grave. Expliquei que tenho o mesmo direito que todos os passageiros a viajar naquele autocarro, que tenho passe, que a Carris incumpre a Lei 46/2006, que proíbe e pune a discriminação em razão da deficiência e da existência de risco agravado de saúde, e que a alternativa que a Carris me estava a dar era um autocarro mais de 1h30 depois, sem garantias de ter uma rampa funcional", continua a explicar.

Além de Sérgio Alexandre Lopes e do homem e da mulher que o acompanhavam, várias foram as pessoas que se juntaram e ele em frente ao autocarro e impediram o motorista de prosseguir viagem. Depois de os agentes da PSP terem falado com o motorista e entrado em contacto com a Carris, o motorista informou o homem que um autocarro já estava a caminho, só para ele, e que não iria efetuar paragens de modo a chegar rápido e "compensá-lo". 

"Logo que o autocarro “reservado” chegou, o motorista do primeiro queria ir embora, os agentes tentaram dissuadir-nos, mas, mais uma vez, por falta de confiança na Carris, foi impedido de ir até que a rampa fosse testada. A rampa estava… avariada, caros amigos", lamenta Sérgio Alexandre Lopes. "O segundo motorista, visivelmente incomodado, garantiu que testara a rampa à frente do chefe e "estava boa (...) Entretanto, a rampa deste último conseguiu ser aberta manualmente e entrei", continuou. 

O segundo autocarro acabou por efetuar o transporte de todos os passageiros que seguiam no primeiro e para Sérgio Alexandre Lopes, este foi o pior momento da noite:  "Já comigo dentro do autocarro, entram os restantes passageiros e nem todos estavam “do meu lado”. Tive que ouvir “só tinha era que esperar por um que viesse a funcionar”, “eu também tenho problemas e sofro com frio”, etc."

"Não somos cidadãos de segunda. Não deixarei que me tratem como se fosse. Não sou o primeiro a fazer este tipo de ação, mas não podemos deixar que situações como esta se repitam, a cada hora, sem fazermos nada. Agradeço ao grupo de passageiros que se juntou a mim. Agradeço aos agentes da PSP que, desde o início, disserem que não nos iam deter pela validade da nossa posição ali", concluiu.

 

 

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