17/2/20
 
 
Vítor Rainho 03/01/2020
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Portugal, o país das depressões sem sentido

Ao ler a entrevista ao psiquiatra e psicanalista Coimbra de Matos, uma referência em Portugal, fico sem perceber como é possível alguns colegas do médico seguirem tratamentos psiquiátricos que passam pelos eletrochoques: “São uma terapêutica medieval”, diz ao i.

Há fenómenos que são de difícil compreensão e ao ler a entrevista ao psiquiatra e psicanalista Coimbra de Matos, uma referência em Portugal, fico sem perceber como é possível alguns colegas do médico seguirem tratamentos psiquiátricos que passam pelos eletrochoques: “São uma terapêutica medieval”, diz ao i. Mas a conversa com o psicanalista de 90 anos, que continua a trabalhar todos os dias, às vezes ao sábado, é uma verdadeira lição de vida. Com a frontalidade de quem não deve nada a ninguém, António Coimbra de Matos tem uma visão positiva sobre o presente e o futuro – “não vivemos do passado, o passado forma-nos, mas já passou. O que é importante é o que vem para a frente” –, mas não deixa de fazer as suas críticas ao sistema. Questionado sobre a razão de Portugal ser um dos países onde mais se consome ansiolíticos, não teve papas na língua: “Erros dos médicos e uma propaganda muito grande da indústria farmacêutica”. A frescura deste homem de 90 anos – deu a entrevista no dia do seu aniversário – é um bálsamo neste tempo de fundamentalismo do politicamente correto. Diz que não faz exercício físico, que continua a fumar, embora não engula o fumo, e defende que “não é nada preciso sofrer, o que é preciso é gozar a vida”. Não é que o exercício físico faça mal, bem pelo contrário, ou que fumar seja algo de benéfico para a saúde, bem pelo contrário também. Mas quem tem esta coragem de assumir que faz o que bem entende começa a ser uma raridade. Pelos divãs dos psiquiatras passam muitos dos males do mundo: pessoas que não aceitam as mudanças na sua vida e se culpam por isso; aqueles que tiveram problemas na infância e que têm dificuldade em libertar-se desses fantasmas e são uns revoltados; a dor da morte de alguém próximo, a falta do luto; ou pais super protetores dos filhos, entre muitas outras situações. Coimbra de Matos tem também uma posição curiosa sobre a reforma: é contra pois acha que as pessoas que estão ativas são muito mais felizes. 

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