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A banda mais livre, sem inibições e com o melhor nome de sempre: Tropical Fuck Storm

A banda mais livre, sem inibições e com o melhor nome de sempre: Tropical Fuck Storm

Jaime Wdziekonski Hugo Geada 02/01/2020 11:31

Gareth Liddiard, vocalista e guitarrista, falou ao i sobre o som experimental e de como a dinâmica dos membros permite a liberdade criativa.

“Culpados”, foi a resposta que Gareth Liddiard, guitarrista e vocalista dos Tropical Fuck Storm, deu ao i através de um email quando questionado como é que se sentia por fazer parte da banda com o nome mais fixe de sempre. Formados dos escombros dos The Drones, banda anterior de Gareth e Fiona Kitschin, os Tropical Fuck Storm ganharam vida quando estes convidaram, no verão de 2017, Erica Dunn para tocar guitarra e Lauren Hammel dos High Tension para tocar bateria. Três semanas após se terem juntado, partiram com os seus conterrâneos King Gizzard and the Lizard Wizard numa tour pelos Estados Unidos da América.

Com uma atitude mais livre e de criação musical mais efusiva dado que ninguém tem “famílias ou hipotecas para pagar”, explica Gareth, em comparação com a sua banda anterior, os Tropical Fuck Storm nasceram da necessidade destes músicos terem mais liberdade musical, atitude refletida pela escolha ousada do seu nome. “A nossa última banda chamava-se The Drones o que era um bocado aborrecido. Achámos que ter um nome terrível iria chamar bastante a atenção, além disso, o bom gosto é inimigo da arte.”

Um ano após a formação da banda, os australianos viriam a lançar o seu primeiro álbum de longa duração, A Laughing Death in Meatspace, onde desconstroem e misturam géneros musicais que parecem incompatíveis, como o blues ou o rock psicadélico com o punk e o noise rock. Este lançamento recebeu críticas bastante positivas por parte de publicações mais underground como o blog The Quietus que colocou este trabalho no 16.º lugar da lista de melhores álbuns do ano e o descreve como uma “guerrilha auditiva, cheia de texturas surpreendentes e tons desorganizados”.

Em Braindrops, segundo álbum lançado no verão passado – a 23 de agosto –, a banda procurou aprofundar este som experimental sem esquecer, no entanto, de conferir um tom emocional à música. “A parte mais complicada de fazer música ‘estranha’ é dar-lhe uma atmosfera emocional. Há muitos músicos experimentais que podem levar-te até ao ‘espaço sideral’, mas é uma onda demasiado intelectual que te pode deixar um bocado de parte.”

Se os instrumentais se tornaram ainda mais estranhos, o que dizer das letras das músicas e dos seus títulos, The Planet of the Straw Men, alegoria para as tensões políticas da Guerra Fria, ou Who’s My Eugene, canção sobre a relação tóxica de Brian Wilson dos Beach Boys e do seu psicoterapeuta Eugene Landy, que durante anos se aproveitou dos problemas psicológicos do músico? Apesar dos temas sensíveis, Gareth recusa aceitar que os Tropical Fuck Storm são uma banda “woke”. “Não somos de forma nenhuma e achamos que todos aqueles que se consideram moralmente superiores uns chatos. Nós somos boas pessoas e podemos sê-lo sem nos considerarmos superiores aos sete biliões de pessoas que moram no nosso planeta.”

Dado o seu passado musical, perguntámos a Gareth se trabalhar numa banda constituída maioritariamente por mulheres era muito diferente, ao que o músico reparou que “as mulheres são melhores a resolver problemas do que os homens.” “Podemos fazer muito mais com muito menos atrito.” Além disso, acrescentou que a dinâmica entre os membros permite-lhe ultrapassar algumas das suas fraquezas. “A minha força pode ser a fraqueza de outra pessoa, ou vice-versa. Inconscientemente, compensamo-nos uns aos outros de forma musical e emocional. Uma boa dinâmica numa banda permite este equilíbrio que torna todo grupo melhor do que a soma das suas partes.”

 

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