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Dar faz bem. O que diz a ciência sobre os benefícios do voluntariado

Dar faz bem. O que diz a ciência sobre os benefícios do voluntariado

Marta F. Reis 26/12/2019 21:00

Vários grupos de investigadores têm-se dedicado a tentar perceber o impacto do voluntariado na saúde e bem estar. Parecem aumentar com a idade, mas também com o tipo de motivação.

Menos hipertensão

Um estudo publicado em 2013 na revista Psychology and Aging seguiu voluntários com mais de 50 anos e concluiu que os que tinham feito pelo menos 200 horas de voluntariado no ano anterior tinham menos risco de ser hipertensos. E também se sentiam melhor. As explicações não foram exploradas, mas se a rotina ajudar a manter a atividade física é meio caminho andado.

 

A partir dos 40 melhor

O voluntariado melhora o estado de espírito, mas haverá diferenças consoante a idade? A questão foi abordada numa investigação publicada em 2016 no British Medical Journal. Avaliadas 5000 pessoas em diferentes faixas etárias, os investigadores concluíram que, no geral, os voluntários tinham melhores índices de bem-estar mental mas as diferenças apareciam sobretudo a partir dos 40 anos e tornavam a destacar-se depois dos 70.

 

Faz pelos outros ou por si?

Um trabalho publicado em 2011 concluiu que quem faz voluntariado tende a ter vidas mais longas, mas é preciso olhar para as motivações. Os investigadores tiveram por base o Estudo Longitudinal do Wisconsin, que seguiu cerca de 10 mil jovens que terminam o liceu em 1957. Em 2004 foram questionados sobre o seu historial de voluntariado nos dez anos anteriores e sobre os motivos. Quatro anos depois, os investigadores perceberam que a taxa de mortalidade dos voluntários mais altruístas nesse período foi menor do que entre os que faziam voluntariado por razões mais autocentradas, como querer fugir dos seus problemas, ou dos que não faziam voluntariado de todo. Outros estudos já associaram mentes mais altruístas a uma maior sensação de bem-estar.

 

Menos ansiedade e depressão

Os efeitos na saúde mental têm sido estudados em diferentes investigações e o veredicto parece ser de que existe de facto algum efeito protetor no voluntariado. Um estudo da Universidade do Texas concluiu que ajuda a diminuir o risco de depressão, sobretudo na população mais velha. Combater a exclusão social e favorecer a integração na comunidade parece ser a explicação.

 

A dose certa

Não há respostas definitivas, mas também já houve quem tentasse perceber se existe uma dose certa para o trabalho voluntário ser compensador e representar benefícios para o bem-estar. Um estudo feito com sexagenários australianos concluiu que a partir das 100 horas de voluntariado se sentiam efeitos positivos no bem-estar, mas a partir das 800 horas a experiência era menos gratificante.

 

Mais laços, menos solidão

O reforço dos laços sociais é outros dos benefícios apontados ao voluntariado. E se para os idosos tem havido vários estudos que sugerem que este pode ser um bom antídoto para a solidão, são também os jovens que sentem que a experiência os torna menos isolados. Um inquérito sobre voluntariado publicado este ano no Reino Unido, que contou com a participação de 10 mil participantes, revelou que dois terços consideram que o voluntariado os fez sentirem-se menos isolados.

 

Mais autoconfiança

O mesmo inquérito, um dos maiores feitos até à data, revelou que 84% dos jovens entre os 18 e os 24 anos sentem que fazerem voluntariado, além do desenvolvimento de novas competências, os tornou mais confiantes.

 

Elas chegam-se mais à frente

As estatísticas mostram que as mulheres participam mais em atividades de voluntariado. Portugal não foge à regra – segundo o último inquérito do INE a taxa de voluntariado é de 8,1% nas mulheres e de 7,6% nos homens. Uma meta-análise liderada pela Universidade de Yale, publicada em 2016, concluiu que as mulheres são instintivamente mais altruístas do que os homens, mas a questão é mais cultural do que genética. “Vivemos numa sociedade em que se espera que as mulheres sejam altruístas, mais do que os homens”, disse na altura David Rand, autor do estudo. “Por isso as mulheres sofrem mais consequências negativas de não serem altruístas, o que as leva a desenvolver resposta intuitivas que favorecem a generosidade”.

 

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