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Trabalho infantil. As crianças que fazem as nossas prendas

Trabalho infantil. As crianças que fazem as nossas prendas

Jornal i 23/12/2019 23:35

Numa economia cada vez mais globalizada, muitas multinacionais são acusadas de fechar os olhos à utilização de trabalho infantil pelos seus fornecedores.

Moda: Uma indústria ideal paea dedos pequenos

 

O trabalho infantil é um problema em todos os pontos indústria da moda, que requer trabalho em massa e baixas qualificações, alertou várias vezes a ONU. Algum do trabalho, como a apanha do algodão, até é feito melhor por crianças, devido aos seus dedos pequenos. Algo recorrente no Uzbequistão, um dos maiores exportadores mundiais de algodão, em tempos utilizado por marcas como H&M e Zara. Mas talvez o maior escândalo a abalar a indústria da moda tenha sido as sweatshops da Nike, reveladas nos anos 90. A marca sempre apostou em produzir os ténis fora do país, responsabilizando as empresas subcontratadas pelos padrões laborais – enquanto as pressionava para diminuir os custos. Algo que resultou em inúmeros abusos e casos de trabalho infantil, em fábricas no Paquistão e Camboja.

 

Óleo de palma: Cacau e nozes 'sustentáveis'

Do óleo de palma utilizado até ao cacau, é difícil comer chocolate que não contenha o resultado de trabalho infantil. Empresas como Nestlé, Kellogg’s e Unilever “garantem aos consumidores que os seus produtos contêm ‘óleo de palma sustentável’, mas a nossa investigação revela tudo menos isso”, e fecham os olhos a abusos e trabalho infantil em países como a Indonésia, acusou a Amnistia Internacional em 2016. Já o cacau usado por Mars, Hersheys e Nestlé é acusado de ser cultivado por crianças em vários países da África oriental, segundo o Food Empowerment Projet E se deseja algo de bom mas sem trabalho infantil, os bombons Ferrero Rocher podem não ser para si. 30% das suas avelãs vêm de quintas na Turquia, onde se estima que 900 mil crianças trabalhem nas mais variadas indústrias, muitas na agricultura.

 

Crianças que fazem brinquedos para outras crianças

No início da década, cerca de 80% da produção mundial de brinquedos vinha da China. Na altura, o South China Morning Post avançou que mediante subornos, as autoridades fiscalizadoras fechavam os olhos a todos os tipos de más práticas, da presença de chumbo trabalho infantil. Entre as empresas que foram então acusadas de usar crianças para fazer brinquedos estava uma subsidiária de multinacionais que iam da Disney à Mattel – a fabricante das bonecas barbie –, passando pelo Walmart. Além disso, os cerca de seis mil funcionários da fábrica eram obrigados a trabalhar o triplo das horas extraórdinárias permitido por lei. O escândalo deu que falar, mas entretanto a China tem melhorando gradualmente os padrões laborais.

 

Crianças que trabalham com mercúrio

Um pouco por todo o planeta, sobretudo em África, Ásia e na América Latina, à superfície ou no subsolo, dezenas de milhares de crianças trabalham na prospeção de ouro, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho. Alguns dos casos mais graves são na Tanzânia, onde milhões de crianças fazem trabalhos perigosos, incluíndo prospeção, segundo a agência da ONU. Outro país onde isto é recorrentes é o Gana, um dos dez maiores produtores de ouro do mundo, que é vendido a bancos, joalharias e fabricantes de eletrónica, segundo a Human Rights Watch. No Gana, crianças acarretam cargas pessadas, arriscam colapsos de túneis e trabalham com mercúrio, um metal pesado extremamente tóxico.

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