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Números de Centeno não coincidem com Ministério das Finanças, diz economista

Números de Centeno não coincidem com Ministério das Finanças, diz economista

Jornal i 15/12/2019 17:43

Eugénio Rosa analisa dados da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público e diz que “não batem certo” com os de Centeno.

Os números do ministro das Finanças, Mário Centeno, no que diz respeito ao aumento da despesa devido às progressões nas carreiras da Função Pública “não batem certo” com os do Ministério das Finanças. Esta é a principal conclusão do mais recente estudo levado a cabo pelo economista Eugénio Rosa.

Segundo o Governo as progressões e revisões nas carreiras determinaram um aumento de despesa com os trabalhadores da Função Pública de 465 milhões de euros no ano passado e 666 milhões este ano. Para o próximo ano, o aumento da  despesa determinado pelas progressões, em conjunto com o aumento de 0,3% prometido para as remunerações destes mesmos trabalhadores, será de 715 milhões de euros.

“E daí se conclui, procurando manipular a opinião pública, que o aumento médio por trabalhador foi de 2,2% em 2018, de 3,1% em 2019 e, em 2020, será de 3,2%”, diz o economista, que vai mais longe ainda: “E no comunicado que divulgou, não mostra a forma como chegou a tais valores, certamente porque pensa que, numa matéria tão importante para a vida de centenas de milhares de trabalhadores, não tem de dar explicações e assim poderá apresentar os valores que quiser e não será contestado”, escreve. Mas as críticas a Mário Centeno não se ficam por aqui, com Eugénio Rosa a garantir ainda que o ministro das Finanças “também se ‘esqueceu’ de informar no seu comunicado que há muitos milhares de trabalhadores das Administrações Públicas que não tiveram qualquer progressão na sua carreira porque ainda não tinham 10 pontos”. “É desta forma que procura virar a opinião pública contra os trabalhadores da Função Pública que há 10 anos têm os seus salários congelados”, acusa Eugénio Rosa.

O economista fez a análise aos números do comunicado do Governo com os da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) analisando um quadro com valores entre 2016 e 2019.
“Segundo dados da DGAEP, se a análise se limitar aos aumentos apenas na Administração Pública Central no período 2016/2019, como consequência das progressões nas carreiras conclui-se que o aumento efetivo na despesa foi de 324 milhões de euros em 2018 e de 272 milhões de euros em 2019 (596 milhões de euros nos dois anos), e não 465 milhões de euros e 666 milhões de euros (1131 milhões de euros nos dois anos) como o governo refere no seu comunicado”, analisa o economista, que continua com as contas: “Admitindo que aqueles valores eram repartidos por todos os trabalhadores do Estado, o que não aconteceu pois muitos milhares de trabalhadores não tiveram quaisquer progressões nas suas carreiras pois não tinham os ‘10 pontos’, o aumento médio seria de 1,7% em 2018 e 2019, e não de 2,2% e 3,1% como refere o Governo no comunicado”.

A análise do economista estendeu-se ainda à evolução dos salários para todas as Administrações Públicas (central, local e regional) no mesmo período, com base em dados divulgados pela DGAEP. Segundo esses valores, diz Eugénio Rosa, “os aumentos efetivos da despesa verificados nas Administrações Públicas no período 2016/2019, como consequência das progressões nas carreiras foi de 458 milhões de euros em 2018 e 442 milhões de euros em 2019 (900 milhões de euros nos dois anos), e não dos 465 milhões de euros como refere o Governo”.

O economista volta a referir que “admitindo que aqueles valores eram repartidos por todos os trabalhadores do Estado, o aumento médio bruto seria de 1,4% em 2018 e de 2,1% em 2019  e não de 2,2% e 3,1% como refere o governo no seu comunicado”. 

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