15/7/20
 
 
João Gomes Almeida 13/12/2019
João Gomes Almeida

opiniao@newsplex.pt

A escola da Greta e a direita bafienta

É claro que acho que o circo à volta da Greta roça muitos vezes o ridículo. No entanto, há algo mais idiota do que a excitação dos políticos de esquerda com a Greta: alguns dos argumentos que a minha direita usa para criticar a jovem activista. 

Obviamente que reconheço os tempos de emergência climática em que vivemos. É claro que acho que o circo à volta da Greta roça muitos vezes o ridículo. No entanto, há algo mais idiota do que a excitação dos políticos de esquerda com a Greta: alguns dos argumentos que a minha direita usa para criticar a jovem activista. 

De todos os argumentos bafientos que li e ouvi de algumas personalidades de direita, o pior foi: “a Greta devia era estar na escola”. Vamos lá por partes, antes de mais ser de direita é elogiar o sucesso e reconhecer o mérito, portanto, algum destes senhores me pode dar um exemplo de um outro miúdo que esteja na escola a tempo inteiro e tenha sido personalidade do ano na Times? Pois, claro que não. 

Vá lá, temos mesmo que ser tão básicos que o único argumento que arranjamos é o do puto totó e queixinhas que aponta o dedo àqueles que optam por não serem marrões? Esta direita com a obsessão da escola, das faculdades e dos percursos certinhos e direitinhos, tem a noção que Churchill não foi propriamente um santinho com média de 20? 

Saberão estes senhores que os seus iPhones Apple que usam para ir ao Facebook escrever disparates e os seus laptops Dell que correm o sistema operativo Windows da Microsoft, só existem porque precisamente Steve Jobs, Zuckerberg, Michael Dell e Bill Gates desistiram da faculdade para irem inventar o futuro e criarem 4 das maiores empresas do mundo?

A jovem Greta tem razão em muita coisa, mas há quem a acuse de apenas apontar os males e não contrapor com soluções. Mas caramba, queriam o quê? A miúda tem 16 anos! O seu papel é mesmo o de ser inconformada e contestatária. 

Mesmo eu que tendo a discordar da forma e do radicalismo da mensagem da Greta, reconheço que prefiro ver adolescentes a manifestarem-se e a discutirem problemas ambientais, do que a assistirem a youtubers sem conteúdo e a consumirem fast food audiovisual em plataformas de streaming. Aliás, entre não estarem na escola para andarem a correr cimeiras sobre alterações climáticas, ou estarem a procrastinar num mundo fútil, prefiro certamente que os adolescentes sigam a primeira opção. 

Para a escola decididamente deveriam voltar todos aqueles que por e simplesmente não compreendem que no mundo moderno há muito mais formas de adquirir conhecimento e obter sucesso, do que apenas a educação formal. A própria da Greta é um excelente exemplo disso. 

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