19/1/20
 
 
Afonso de Melo 13/12/2019
Afonso De Melo

afonso.melo@ionline.pt

Campeonato. O dragão que espuma e a águia do sorriso amarelo...

Os nervos explodem por entre os portistas à mais pequena contrariedade. Têm o fim de semana para descansar. 

O dragão espuma, pelos vistos de raiva. Incapaz de botar fogo no Estádio Nacional, contra o Belenenses, o mal-estar rebentou e voltaram os tiques de um mau perder que se tornou uma doutrina desde os tempos em que José Maria Pedroto e o seu grande discípulo, sua eternidade o presidente do FC Porto, tomaram as rédeas do clube. Ninguém se surpreende. Ninguém parece sequer prestar atenção às diatribes que se desenvolvem na escuridão dos túneis, geralmente os locais escolhidos para que o civismo e a educação sejam brutalmente atropelados pela filosofia degradante da ameaça e da violência física. Ano após ano após ano, o filme repete-se. Desgasta os espetadores e destrói os protagonistas. Os opinadores, na sua maioria, calam-se. Não é conveniente acicatar a fúria. Há que esperar que ela passe. Ou que se dilua na alegria da próxima vitória.

Regressando ao campeonato na próxima segunda-feira, pelas 20h15, os portistas têm promessa de uma noite sossegada com a visita do Tondela, confortavelmente instalado a meio da tabela e sem preocupações de qualquer espécie. Aliás, ou Paços de Ferreira e Desportivo das Aves acertam com a pedalada dos que os precedem ou não tarda estaremos perante uma prova na qual umas dez equipas jogarão para coisa nenhuma, algo de preocupante para a competitividade que deveria balizar um campeonato. Mais cedo ou mais tarde será necessário concluir que 18 participantes (exatamente porque o grosso dos clubes não faz mais do que apenas participar) é um excesso. Uma gula maior do que a de Pantagruel e Gargântua juntos, convenhamos. E que justifica a forma como os primeiros da classificação se debatem com a impossibilidade de estar entre os 24 melhores da Europa.

Desilusão Esperemos sentados o dia em que os senhores pomposos desta Liga tristonha decidam perceber o erro que cometem nesta insistência num campeonato pleno de desequilíbrios e entregue a um calendário com muito de absurdo, para não dizer estúpido.

Entretanto, depois do empate do seu único adversário na luta pelo título, a águia tem motivos para sorrir ao receber amanhã, na Luz, um Famalicão que vai de trambolhão em trambolhão, tal como se esperava depois de um início de época formidando. Quatro pontos de avanço à beira do passar do ano é suficientemente aliciante para atrair o público. E a forma categórica como venceu os últimos dois jogos, com a complicada ida ao Bessa (1-4) e a dura receção ao Zenit de Sampetersburgo (3-0), dá ideia de que o conjunto de Bruno Lage se encontra no melhor momento da temporada.

Não pode deixar, apesar disso, o adepto encarnado de sentir uma certa desilusão. A Liga dos Campeões devia ter sido mais do que uma quimera, ainda que sabendo das dificuldades imensas que a fase eliminatória consigo acarreta. O Benfica, ao fazer três pontos nos primeiros quatro jogos e quatro nos últimos dois, deixou-nos a sensação de que só começou a correr, como a lebre da fábula de Esopo, quando a tartaruga já estava à vista da meta, pronta a ultrapassá-la no seu passo molenga. Não restam dúvidas de que a presença em campo dos jogadores mais batidos, e Pizzi acima de todos eles, a verdadeira mola de percussão do futebol ofensivo encarnado, teria sido fundamental para a obtenção de mais dois ou três pontos, os suficientes para colocar o campeão nacional nos dois primeiros lugares de um grupo que se confirmou equilibrado e que viu o Lyon apurar-se com apenas oito pontos, isto é, um a mais do que Benfica e Zenit. Um sabor a azedo ter-se-á misturado com a doçura advinda da vitória de terça-feira.

Este Benfica, o Benfica de Leipzig, do Bessa e da Luz, não pareceu inferior a nenhum dos seus adversários.

 

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