18/1/20
 
 
José Paulo do Carmo 13/12/2019
José Paulo do Carmo

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A queda do cinema?

Sem ser novidade, esta escalada de protagonismo das plataformas de streaming abre uma caixa de Pandora na realidade cinematográfica. Será isto o início do fim do cinema? Ou terá o grande ecrã capacidade de se reinventar? 

As nomeações para os Globos de Ouro deste ano (um dos galardões mais reconhecidos no mundo do cinema e antecâmara dos Óscares) contam pela primeira vez com um forte contingente vindo diretamente do streaming. Falo mais concretamente da plataforma Netflix, mas também da HBO, produtoras e distribuidoras que “assaltaram” as nossas casas com conteúdos de qualidade nunca antes vistos para televisão e que começam já a roubar protagonismo às produções cinematográficas com exclusivos para o pequeno ecrã que só podem ser vistos por quem os assina.

Entraram de fininho com as séries e prenderam a atenção dos consumidores. Foi tal a volta que deram ao mercado que este tipo de produção, que sempre foi considerada menor e era, por isso, incapaz de atrair os grandes atores, ganhou agora pela primeira vez plano de destaque em que todos querem estar e de que todos querem fazer parte. É fácil de perceber: basta fazer uma breve inquirição pelos nossos amigos para saber quantos deles são já seguidores e quantos não conseguem largar as suas séries de preferência. Mas não ficaram por aqui: dedicaram-se aos filmes, longas-metragens, e com o poder e a capacidade financeira de grandes marcas atacam agora as produções de topo com os melhores intervenientes e realizadores prestigiados.

Em cinco nomeações para melhor filme aparecem três da Netflix. O Irlandês, de Martin Scorsese, uma história da máfia com os inigualáveis Robert de Niro, Joe Pesci e Al Pacino, mas também o fantástico Marriage Story, um olhar profundo e realista sobre o fim de um casamento e a união de uma família (que recomendo vivamente) e que conta no seu elenco com nomes como Scarlett Johansson e Adam Driver, ou ainda Dois Papas, de Fernando Meirelles. Do cinema aparecem-nos o já muito falado Joker, de Todd Phillips, e ainda 1917, de Sam Mendes. De referir ainda o filme Knives Out, uma ode aos mundialmente famosos livros policiais de Agatha Christie, ou ainda Era Uma Vez… em Hollywood, de Quentin Tarantino que recria o caso Tate-LaBianca, que culminou nos anos 60 com o assassinato cruel da mulher grávida do realizador polaco Roman Polanski e dos seus amigos pela seita Manson.

Sem ser novidade, esta escalada de protagonismo das plataformas de streaming abre uma caixa de Pandora na realidade cinematográfica. Será isto o início do fim do cinema? Ou terá o grande ecrã capacidade de se reinventar? É que com a evolução dos ecrãs para casa que, nalguns casos, mais parecem pequenas salas de cinema, tal é a dimensão e a qualidade da imagem, bem como a envolvência do som, que pode para muitos deixar de existir razão para saírem do conforto do seu sofá para se deslocarem a uma sala. Até as pipocas já pode ter em casa mandando vir… através de uma plataforma de entregas que recentemente entrou no mercado. Da mesma forma que assistimos ao declínio das grandes lojas de aluguer de filmes, como a Blockbuster, devido à pirataria da internet, estaremos nós a presenciar o mesmo com o cinema? Seguiremos com atenção as cenas dos próximos capítulos…

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