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Boris tem tudo para concretizar o Brexit

Boris tem tudo para concretizar o Brexit

João Campos Rodrigues 12/12/2019 22:14

Os trabalhistas sofreram uma derrota enorme, de acordo com as sondagens à boca de urna. Já os nacionalistas escoceses cresceram, reforçando a exigência por um referendo à independência.

Boris Johnson é o grande vencedor das eleições no Reino Unido, prevendo-se que consiga 368 dos 650 deputados britânicos, mostram as sondagens da Ipsos Mori à boca de urna. Uma maioria absoluta dos conservadores, que torna praticamente garantido que o Reino Unido sairá da União Europeia antes do prazo-limite, marcado para dia 30 de janeiro - afinal, o acordo de saída aprovado por Bruxelas foi negociado por Johnson. Após quatro anos de impasse, finalmente, o futuro imediato do Reino Unido parece claro: o que é uma incógnita é o que vem a seguir à saída. Londres e Bruxelas têm 14 meses após a saída para repensar e renegociar boa parte do seu relacionamento - algo que não será fácil, se os últimos anos servirem de indicador. 

Note-se que as sondagens à boca de urna, apesar de não serem 100% fiáveis - em 2015 previram que os conservadores não obteriam maioria absoluta quando acabaram por consegui-la - são bastante precisas. Não parece haver volta a dar à estrondosa vitória dos conservadores - o resultado apontado dá-lhe mais 51 deputados que os eleitos em 2017. Já os grandes rivais dos conservadores, os trabalhistas, liderados por Jeremy Corbyn, terão de recuperar de uma noite eleitoral extremamente dura: a Ipsos dá-lhes 191 deputados, menos 71 do que têm. É a quarta derrota eleitoral consecutiva do partido de centro-esquerda e a segunda de Corbyn, que certamente verá a sua liderança questionada - já enfrentava forte oposição interna antes das eleições. E, a confirmarem-se estes números, é uma das maiores derrotas dos trabalhistas em décadas.

Já os Liberais Democratas, ferozes opositores da saída do Reino Unido da UE, e o Partido do Brexit, que competia com os conservadores pela direita, viram confirmada a sua marcada descida nas intenções de voto desde que foram convocadas as eleições.

Outro grande derrotado é o Partido do Brexit, de Nigel Farage, que há alguns meses parecia capaz de ser a grande surpresa das eleições. As sondagens do Politico chegaram a dar-lhes uns sólidos 22% das intenções de voto - prevê-se que não elejam nenhum deputado. Já os o Liberais Democratas, liderados por Jo Swinson, ficaram mais ou menos na mesma - é-lhes apontado o ganho de mais um deputado.

 Entre os pequenos partidos, o grande vencedor é mesmo o Partido Nacionalista Escocês (SNP): prevê-se que ganhe mais 20 deputados, ficando com 55. Dada a probabilidade de o Brexit se concretizar, como exige Johnson, e a oposição dos escoceses à saída da UE - a maioria votou contra -, o crescimento do SNP pode reforçar a sua exigência de um novo referendo à independência da Escócia. Certamente, o Brexit ainda fará correr muita tinta na imprensa, um pouco por todo o mundo. 

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