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Cérebro, cooperação e CO2. Quatro cientistas em Portugal recebem financiamento de 8 milhões de euros

Cérebro, cooperação e CO2. Quatro cientistas em Portugal recebem financiamento de 8 milhões de euros

Marta F. Reis 10/12/2019 13:30

Conselho Europeu de Investigação anunciou hoje os vencedores das bolsas de consolidação. Entre os 301 projetos financiados, quatro vão decorrer em Portugal e dois no mesmo laboratório associado da Universidade de Aveiro

Quatro investigadores em Portugal vão receber bolsas de consolidação do Conselho Europeu de Investigação (ERC na sigla em inglês), um financiamento de até dois milhões de euros atribuído a cientistas com 7 a 12 anos de experiência após a conclusão do doutoramento. Os contemplados nacionais nesta última ronda de bolsas ERC, que ao todo vai distribuir 600 milhões de euros por cientistas de 24 países, são Meghan Carey, responsável pelo laboratório de circuitos neuronais e de comportamento do programa de neurociências da Fundação Champalimaud, Rita Covas, do ICETA - Instituto de Ciências, Tecnologias e Agroambiente da Universidade do Porto e Luís Mafra e Nuno Silva, ambos cientistas do Ciceco – Instituto de Materiais de Aveiro, laboratório associado da Universidade de Aveiro.

O Conselho Europeu de Investigação decidiu financiar 301 projetos nos diferentes países europeus, num universo de 2453 candidaturas, revelou esta terça-feira o organismo. Alemanha, Reino Unido e França são, como habitual, os países com mais cientistas distinguidos, ficando com praticamente metade das bolsas. A organização estima que esta ronda de financiamento permitirá criar 2000 postos de trabalho para pós-doutorados, além de as verbas serem usadas para adquirir equipamento e material necessário para as investigações. Uma tema que tem motivado alertas da comunidade científica portuguesa: enquanto em países como Alemanha, França ou Reino Unido, a atividade científica sem fins lucrativos está isenta de IVA, em Portugal parte do financiamento acaba por servir para pagar os impostos, o que coloca a investigação nacional em desvantagem mesmo quando conquista as bolsas milionárias do Conselho Europeu de Investigação. Em junho, um conjunto de cientistas e académicos avançou com uma petição para pedir o reembolso deste pagamento, libertando verbas para o trabalho científico.

O projeto de Meghan Carey, de nacionalidade norte-americana e que trabalha no centro de investigação da Fundação Champalimaud desde 2010, visa o estudo dos circuitos cerebrais envolvidos na aprendizagem do movimento.

Já o projeto de Rita Covas, especialista em ecologia evolutiva, tem como mote a escolha de parceiros e a evolução da cooperação.

Segundo um comunicado da Universidade de Aveiro, Luís Mafra trabalha em ressonância magnética nuclear e vai estudar interações gás-sólido: o objetivo é compreender interações moleculares que permitam conceber materiais porosos com propriedades melhoradas para a captura de dióxido de carbono. Nuno Silva, por sua vez, estuda métodos para medição da temperatura a três dimensões a uma nanoescala, para que seja possível por exemplo determinar a temperatura em intervenções para remover tumores.

Desde 2007, o Conselho Europeu de Investigação já financiou 9000 cientistas europeus em diferentes fases da carreira – existem três tipos de bolsas, de iniciação, de consolidação e avançadas, e ainda subvenções de prova de conceito e bolsas de sinergia. Apesar de as candidaturas nacionais continuarem longe dos registos dos países mais contemplados com financiamento europeu, já houve 48 cientistas portugueses ou estrangeiros a trabalhar em Portugal a receber bolsas de iniciação, 34 receberam bolsas de consolidação e 15 receberam as chamadas bolsas avançadas, que podem ir até aos 2,5 milhões de euros e destinam-se a investigadores que tenham mais de dez anos de experiência e um percurso reconhecido.

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