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Índia. Incêndio infernal em fábrica clandestina mata 43 pessoas

Índia. Incêndio infernal em fábrica clandestina mata 43 pessoas

AFP João Campos Rodrigues 08/12/2019 18:05

O dono da fábrica já foi preso e acusado de homicídio por negligência. Os seus funcionários dormiam entre turnos, numa sala trancada e com janelas seladas, quando se viram cercado pelo fumo e pelas chamas.

Cerca de duas centenas de pessoas dormiam numa fábrica ilegal, em Nova Deli, quando um incêndio massivo envolveu o edifício de quatro andares. Pelo menos 43 pessoas morreram, a maioria por inalação de fumo, de acordo com as autoridades indianas. O incêndio terá sido causado por um curto-circuito, e o dono da fábrica, que dá apenas pelo nome de Rehan, foi detido, após estar em fuga durante horas. É acusado de homicídio por negligência - o edifício não tinha qualquer licença ou equipamento de segurança.

Algumas das janelas até estavam seladas, prendendo gases tóxicos no quarto atulhado onde dormiam a maioria dos operários, avançou o canal indiano NDTV. “O problema foi o fumo”, explicou à CNN Sunil Choudhary, vice-chefe dos bombeiros de Nova Deli. “Ninguém conseguia sair. Havia uma porta de ferro trancada, as pessoas foram resgatadas apenas depois de a arrombarmos”.

Alguns tentaram escapar pelo terraço, incluindo crianças. “Eu vi os rapazes que estavam no telhado, começaram a gritar, a chamar-me: ‘Senhor, por favor salve-me’”, contou ao canal norte-americano uma testemunha, Mohammad Manzur. 

Enquanto o drama se desenrolava, os bombeiros debatiam-se para chegar à fábrica, perto do mercado de Azadam, na zona histórica da capital. Imagens mostram veículos de emergência incapazes de atravessar as ruelas, densamente populadas, por entre emaranhados de fios elétricos expostos: só um dos cerca de trinta autotanques nas imediações conseguiu chegar ao local, contaram bombeiros à CNN autoridades. Tiveram de combater o incêndio a 100 metros de distância e carregar vítimas aos ombros, segundo a AP.

 

Desespero No rescaldo da tragédia, centenas de familiares juntaram-se à porta dos hospitais da zona, à procura dos seus entes queridos, como Manoj, cujo irmão Naveen, de 18 anos, trabalhava numa fábrica de malas no edifício. “Não faço ideia para que hospital foi levado”, disse à Press Trust of India.

A oficina onde trabalhava Naveen era uma das várias que operavam ilegalmente no edifício: produziam brinquedos de plástico, malas, mochilas e chapéus. A maioria dos operários era oriunda de Bihar, um estado pobre no leste da Índia. Chegavam a ganhar o equivalente a menos de dois euros por dia e dormiam na fábrica entre turnos, contaram familiares à AP.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, qualificou o incidente de “pavoroso” no Twitter. De acordo com a NDTV, o seu Governo já prometeu pagar um milhão de rupias (cerca de 12,7 mil euros) à família de cada vítima mortal e 100 mil rupias (1,27 mil euros) a cada ferido.

Contudo, neste momento as famílias inconsoláveis que percorrem os hospitais e morgues de Nova Deli só querem voltar a ver os seus entes queridos. Como os familiares e amigos de Mohammed Sahmat, de 14 anos, e de Mohamed Mahbub, de 13 anos, que estavam na fábrica na altura do incêndio.

“Se Alá for misericordioso encontraremos Sahmat”, disse à Press Trust of India Mohammed Arman, que andava com fotos à procura dos dois adolescentes, logo após se aperceber que Mahbub estava entre os mortos.  

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