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L'épée. Música para (vários) filmes imaginários

L'épée. Música para (vários) filmes imaginários

Hugo Geada 05/12/2019 21:12

O primeiro álbum da superbanda L’Épée cruza o cinema e a música com as mais variadas influências, desde a pop francesa e o psicadelismo anglo-saxónico a ritmos orientais.

 

Os primeiros passos do cinema com som foram marcados pelos filmes revue, registos cinematográficos que compilavam as mais diversas atuações e estilos de entretenimento, desde concertos, circos ou shows de burlesco. E é esta a sensação transmitida pelo álbum Diabolique, primeiro longa-duração de L’Épée. Ao longo de dez faixas vamos imaginando diversas curtas-metragens: Une Lune étrange podia sair da banda sonora de um filme noir realizado por Jean-Luc Godard, e em On dansait avec elle somos transportados para uma aventura nas profundezas de uma floresta indiana, ou para um cenário natalício em Springfield 61.

Estas diferentes influências surgem da convergência dos membros desta superbanda e dos seus distintos backgrounds: Anton Newcombe, líder da lendária banda americana Brian Jonestown Massacre, uma das mais influentes bandas de rock psicadélico a surgir nos anos 1990; a atriz e vocalista francesa Emmanuelle Seigner, protagonista de filmes como Vénus de Vison (realizado pelo controverso Roman Polanski, com quem é casada); e Lionel e Marie Limiñana, casal que forma a banda rock francesa The Limiñanas. L’Épée (espada em francês) é o nome adequado para uma banda que no seu primeiro single, Dreams, como nota o jornalista Paul Moody do Guardian, “conta a história de uma mulher que em resposta a ser assediada por um homem, come-o vivo”.

O nome do álbum, Diabolique, é uma referencia a Danger: Diabolik (1968) do realizador italiano Mario Brava, filme de ação que inclui a femme fatale Marisa Mell. Se bem que também podia muito bem ter sido retirado de As Diabólicas (1955), do francês Henri-Georges Clouzot, em que duas mulheres assassinam um amante infiel. “Nós dançamos entre homenagens e ignorância neste tipo de decisões”, explicou Anton Newcombe ao i.

Esta não é a primeira vez que Anton se aventura no mundo das bandas sonoras, seja em filmes reais - compôs a banda sonora original para Moon Dogs (2006) - ou imaginários. Neste campo, falamos de Musique de Film Imaginé, banda sonora de um filme que imaginou inspirado nos trabalhos de Godard e François Truffaut. “Estou interessado em criar reinos atmosféricos que relaxem a mente”, disse.

Quanto ao processo, confessou que tenta “não pensar demasiado no que está a fazer para não perder a autenticidade”. “Fecho os olhos, imagino o que estou a ouvir, o que devia estar lá, e começo a tocar”. Da imaginação dos músicos resultou este álbum com sonoridades que atravessam continentes, desde as influências francesas do pop ie-ié ao trabalho de Serge Gainsbourg, aos americanos Velvet Underground (Lou Reed é homenageado na faixa Lou) ou à música oriental, com instrumentos de percussão e de cordas típicos.

Um deleite para todos os sentidos, esta antologia é uma conjugação ideal entre som, imagem e narrativa. “Através da pura energia criativa da música é possível transformar um bom filme num filme incrível”. 

 

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