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José Cabrita Saraiva 05/12/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Condecorações por atacado

As distinções correm o risco de se banalizar. Ou pior: não as conceder pode ser quase tomado como um insulto.

Um dos aspetos em que a Presidência de Marcelo Rebelo de Sousa tem sido mais bem-sucedida é na aproximação ao povo. Marcelo não tem medo de andar como qualquer cidadão na rua, de abraçar as pessoas e de ficar com o fato amarrotado. O chefe de Estado não é uma figura quase abstrata e intocável, mas alguém que sai da sua redoma e se entrega com confiança àqueles que o elegeram.

Um dos momentos definidores dessa atitude foi a receção aos jogadores vencedores do Euro 2016 no Palácio de Belém – nesse caso, não foi ele que saiu da redoma presidencial, mas a redoma que se abriu a figuras que normalmente não têm acesso a estes lugares altamente reservados e simbólicos.

É discutível se o Presidente devia ou não ter condecorado os jogadores e equipa técnica que venceram o Euro. Mas mesmo os críticos reconhecerão a adesão que o futebol tem no país, a importância da seleção nacional e a grandeza do feito. Afinal, Portugal nunca tinha conquistado um troféu internacional com a dimensão do que conquistou em França.

Só que, ao condecorar esses atletas por atacado, Marcelo abriu a porta a outras condecorações mais questionáveis. A distinção corre o risco de se banalizar. Ou pior: não a conceder pode ser quase tomado como um insulto.

Há menos de duas semanas, perguntou-se se Jorge Jesus não mereceria também uma comenda. Afinal, triunfou do lado de lá do Atlântico, bateu recordes atrás de recordes, elevou bem alto o nome de Portugal ao serviço de uma equipa brasileira. E Mourinho, porque não?

Esta semana o Presidente recebeu e homenageou em Belém a seleção de futebol de praia, que se sagrou campeã do mundo no Paraguai. Além da menor expressão desta modalidade, há uma diferença que não passa despercebida nem mesmo ao mais distraído: o Mundial de futebol de praia realiza-se de dois em dois anos e foi a terceira vez que Portugal o conquistou.

A homenagem foi merecida? Se calhar até foi. Mas os jogadores já tinham conquistado a medalha de campeões do mundo. Valerá mesmo a pena pôr-lhes condecorações em cima de condecorações?

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