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Carlos Amaral Dias, o psicanalista da rádio

Carlos Amaral Dias, o psicanalista da rádio

Martim Ramos Cláudia Sobral 04/12/2019 12:46

Pai de Joana Amaral Dias tinha deixado recentemente a direção do Instituto Superior Miguel Torga. O autor de dezenas de livros na área da psicanálise e professor catedrático da Universidade de Coimbra tinha 73 anos.

Publicou mais de uma dezena de obras sobre psicanálise, psicologia e relações humanas, foi autor (e coautor) de programas de rádio, na TSF, entre 1990 e 2003, e mais tarde na Antena 1, até 2011. O médico, psicanalista, professor universitário e autor Carlos Amaral Dias morreu nesta terça-feira, em Lisboa. A notícia da morte do pai de Joana Amaral Dias foi avançada à agência Lusa por Luís Marinho, docente e membro da comissão de gestão do Instituto Superior Miguel Torga, de Coimbra. Tinha 73 anos.

Instituto esse que dirigiu ao longo de mais de duas décadas e que abandonara há um mês, a seu pedido. Era ainda professor catedrático na Universidade de Coimbra, onde lecionava a cadeira de Psiquiatria Dinâmica, e no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa, onde deu aulas de Psicopatologia. Foi também vice-presidente da Academia Internacional de Psicologia e coordenador do Núcleo de Seguimento Infantil e Ação Familiar. No passado ocupou também o cargo de presidente da Sociedade Portuguesa de Psicanálise.

Nascido em 1946, em Coimbra, Carlos Augusto Amaral Dias formou-se em Medicina, especializou-se depois em Psiquiatria e doutorou-se, em 1981, na Universidade de Coimbra, com uma dissertação sobre a influência dos fatores psíquicos e sociais no desenvolvimento da toxicomania. A sua atividade de teórico e investigador na área da toxicodependência levou-o, enquanto conferencista, a cidades como Roma, Barcelona, São Paulo e Nova Iorque.

Entre os livros que publicou contam-se O Obscuro Fio do Desejo, Teoria das Transformações ou Capturando as Linhas da Psicopatologia Borderland, estados-limite. Publicou inúmeros artigos em revistas da especialidade, entre as quais a Revista Portuguesa de Psicanálise, que chegou a dirigir, e a Análise Psicológica. Foi revisor científico da edição portuguesa do Dicionário de Psicanálise, de Elisabeth Roudinesco e Michel Plas (2000). À rádio chegou em 1990. Na TSF, entre esse ano e 2003, foi autor de vários programas como Esta Inquietante Estranheza, O Inferno Somos Nós, Freud e Maquiavel e A Espuma dos Dias, programa que conduzia com Fernando Alves e que haveria de ser editado no livro Avenida de Ceuta n.o 1. Com Carlos Magno, e já na Antena 1, partilhou o programa Alma Nostra, que teve a sua última emissão em 2011.

Por ocasião da sua morte, o atual presidente da Sociedade Portuguesa de Psicanálise, Rui Aragão Oliveira, lembrou-o, citado pela TSF, como “um universitário absolutamente marcante” e “um homem profundamente satisfeito sobre a sua capacidade de pensar e olhar o mundo”.

Numa entrevista concedida ao i em fevereiro deste ano, a sua filha, Joana Amaral Dias, recuperou alguns episódios que mostravam um outro lado de Carlos Amaral Dias, do seu tempo de estudante. “Os meus pais fizeram parte da crise estudantil de 69”, dizia. “A minha mãe esteve presa enquanto estava grávida do meu irmão Henrique, o meu pai foi várias vezes preso pela PIDE. Chegou a comer documentos em frente à polícia para não ser incriminado”.

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