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World War Zero. A coligação de John Kerry para fazer frente à emergência climática

World War Zero. A coligação de John Kerry para fazer frente à emergência climática

Jornal i 03/12/2019 16:56

Aos líderes políticos e militares que integram o “exército” de Kerry, juntam-se celebridades como Leonardo DiCaprio, Emma Watson e Ashton Kutcher.

“A emergência climática é a nossa Terceira Guerra Mundial. As nossas vidas e a civilização como a conhecemos está em risco, tal como estava na Segunda Guerra.” São afirmações do Nobel da Economia Joseph Stiglitz, feitas num artigo publicado há alguns meses no The Guardian no qual criticava severamente todos aqueles que se têm escudado em argumentos sobre o impacto negativo na economia para rechaçar propostas para uma redução drástica das emissões de gases com efeito de estufa. “Quando os EUA entraram na Segunda Guerra”, vinca Stiglitz, “ninguém perguntou: ‘Podemos dar-nos ao luxo de combater esta guerra?’ Era uma questão existencial. O que não podíamos era dar-nos ao luxo de não a combater. E o mesmo se aplica à emergência climática.”

É com este sentido de urgência que o antigo secretário de Estado e senador norte-americano John Kerry chamou à sua coligação para salvar o planeta World War Zero, deixando claro o risco para a segurança nacional e procurando evocar um esforço de mobilização próprio dos momentos de guerra. A ideia é que só uma aguda do risco existencial desta ameaça, como a que se sente em face de um inimigo mortal, poderá levar aqueles que continuam cépticos a aceitar o tipo de sacríficios que as gerações anteriores suportaram em períodos de guerra. Recorde-se que, de acordo com os cientistas das Nações Unidas, as emissões globais de carbono terão de ser reduzidas pela metade até 2030, e eliminadas completamente até 2050.

Se hoje, é difícil capturar o foco mediático para uma qualquer causa sem contar com um elenco de luxo, Kerry foi bem sucedido ao ter entre os 60 membros fundadores deste movimento nomes como Leonardo DiCaprio, Sting, Emma Watson e Ashton Kutcher. Mas numa altura em que o actual ocupante da Casa Branca se recusa a reconhecer a gravidade das alterações climáticas, e chegou a defender que tudo não passava de um embuste patrocinado pela China para debilitar a economia norte-americana, esta coligação depara-se com o desafio de ser encarada como um instrumento político para  desequilibrar a favor dos democratas a visão do eleitorada, podendo ter um papel nas eleições presidenciais do próximo ano. Com isso em mente, no lançamento desta coligação este domingo, Kerry fez questão de assinalar a sua lógica bipartidária, e se ex-presidentes democratas como Bill Clinton e Jimmy Carter a integram, esta conta com figuras do partido republicano, como Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia, e John Kasich, antigo governador do Ohio. Se alguns membros podem defender esta ou aquela proposta específica, seja a taxa de carbono, o ambicioso programa de reformas chamado Green New Deal ou outro qualquer, este movimento pretende ficar à margem dessas divisões, reforçando apenas o sentido de que alguma coisa de muito significativo terá de mudar.

Com um orçamento inicial de meio milhão de dólares, Kerry adiantou que ele e outros membros planejam particpar em mais de 10 milhões de “conversas à volta do clima” por todo o país, de forma a irem ao encontro dos americanos, especificamente nalguns dos Estados que terão um papel decisivo nas eleições de 2020.

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