11/12/19
 
 
Marta F. Reis 02/12/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

Saúde pública com mais transparência

O final da semana passada ficou marcado pela notícia do aumento da mortalidade materna, em 2018, para valores que não se registavam desde o início de 1980 – uma taxa de 19,5 mortes por cada 100 mil nascimentos, nascendo hoje em Portugal menos de 90 mil crianças.

Morreram 17 mulheres durante a gravidez, parto e pós-parto, mais oito do que no ano anterior. Os dados do INE, revelados pelo jornal Público, geraram reações de preocupação e a Direção-Geral da Saúde, que assumiu estar também preocupada, garantiu que todos os casos estão a ser analisados. Como já tinha assegurado que estavam a ser analisadas as mortes maternas de 2017, sem serem conhecidas até à data conclusões.

Há agora o compromisso de que os resultados da análise tanto para o ano de 2017 como de 2018 serão apresentados até ao final do ano, mas não deixa de causar alguma estranheza a forma como, por vezes, se parece encarar a comunicação em saúde pública num país com uma tradição tão antiga nesta área: perante a degradação de um indicador sensível, num campo em que Portugal tanto pode orgulhar-se das melhorias que conseguiu alcançar nas últimas décadas – nos anos 60, a taxa de mortalidade materna era de 115 mortes por 100 mil nascimentos –, seria de esperar uma comunicação mais proativa da autoridade de saúde e do ministério, que certamente também teria acesso aos dados do INE e já estava a acompanhar a evolução do indicador.

Durante o fim de semana, a referência à greve dos especialistas em saúde materna e obstetrícia, que marcou o verão de 2017, como uma das possíveis causas para a crise na saúde materna levou a Ordem dos Enfermeiros a reagir e a acusar os médicos de quererem desviar as atenções dos atrasos na avaliação de processos disciplinares, uma crispação que nada acrescenta ao trabalho de perceber se, além das características das grávidas, algo falhou, o quê e porquê. Impõem-se um esclarecimento claro e soluções concretas para as dificuldades sentidas pelos serviços e profissionais, mas também sensibilidade e uma postura construtiva de todas as partes, colocando o doente no centro das preocupações em todos os momentos.

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