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Campeonato. A simpática visita dos senhores do rés-do-chão

Campeonato. A simpática visita dos senhores do rés-do-chão

AFP Afonso de Melo 29/11/2019 17:53

Na luta pelo título, o Benfica entra primeiro (recebe amanhã o Marítimo) e o FC Porto só segunda (recebe o Paços de Ferreira).

Provavelmente já muitos se esqueceram que ainda há campeonato e não é de admirar, afinal entre o final da última jornada e o início desta passaram-se 19 dias, tempo capaz de baixar até ao mínimo todas as expectativas inerentes. Faz lembrar aquele conto do António Botto, que mete um garotinho doente e a sua ama. Confinado à cama, o miúdo, ansioso, pergunta todos os dias, quando se abrem as cortinas da janela do seu quarto: “Diz-me ama, ainda há mundo?”

Daria vontade de perguntar se ainda há campeonato, mas ele existe mesmo, estejam descansados, esta noite mesmo o Santa Clara recebe o Boavista, e a ronda estender-se-á por quatro dias, até segunda-feira, terminando com o FC Porto-Paços de Ferreira. Ou seja, cabe ao Benfica, que este sábado tem a visita do Marítimo na Luz, pelas 18 horas, dar o primeiro passo na luta pelo título que, convenhamos, está desde início confinada aos dois do costume, tão pobrezinha é esta prova, valha-nos Deus, e a forma como os maiores do país são uma espécie de anões na Europa confirma que cada vez estamos mais fundo no poço da competitividade.

Aceitemos que, ao desbobinar o filme das últimas exibições do conjunto de Bruno Laje, ficamos com a sensação que está à beira de dar um tombo dos valentes, tão modestas têm sido elas, tanta dificuldade revelam os encarnados na obtenção das vitórias que lhes permitem, até ao momento, manterem-se pendurados no topo da tabela. Dir-me-ão que, para compensar, joga ao colo do seu público contra um adversário que nada tem de assustador, encaixado num bisonho 14º lugar, apenas com três ponto de vantagem sobre o Paços de Ferreira, que está na zona da despromoção. É um facto. Mas o futebol não se resume à suprema lei do mais forte e, por isso, se tornou no jogo mais excitante do universo.

Com treinador novo no comando do Leão da Almirante Reis, espera-se pelos resultados da chicotada. Regressado de Inglaterra, José Gomes é agora o homem do leme. A experiência no Reading não foi de encher o olho, mas desde que deixou de ser adjunto de Jesualdo Ferreira, no FC Porto, a sua vida de emigrante, dispersada entre Espanha, Hungria, Grécia e Arábia Saudita, ter-lhe-á oferecido, pelo menos, uma bagagem confortável de métodos mais variados. Tem a oportunidade relançar a sua carreira em Portugal, este país confuso no qual o imprestável para uns (Marítimo) ganha aura de salvador para outros (Desportivo das Aves) sem que seja preciso passar sequer pelas 24 horas de um dia. Falo, obviamente, de Nuno Manta, que não precisou de requerer o subsídio de desemprego, tão rapidamente foi entronizado pelos avenses depois de ter ouvido, no Funchal, o estalar do amaldiçoado chicote carregado, segundo dizem, de uma simbólica psicologia.

FC Porto a subir Enquanto Laje se embrulha e desembrulha para dar consistência a um grupo meio disperso, capaz durante alguns momentos do jogo, de pressionar alto e forte, para logo cair numa modorra incompreensível que o faz sofrer golos de qualquer gato-pingado, Sérgio Conceição parece ter devolvido ao FC Porto a sua melhor versão, baseada num poderio físico que não existe em mais nenhuma equipa de Portugal, tanto do meio-campo para trás como do meio-campo para a frente. Depois da vitória categórica na Luz que o dragão passou a ter alguns pontos mais na tabela da candidatura do que o seu rival de Lisboa. Porque se mostrou muitíssimo superior; porque jogará com essa vantagem importante ao longo da prova; porque deu a clara sensação de que, um para um, frente a frente, como nos livros do Texas Jack, saberá sacar primeiro do colt e disparar o tiro decisivo.

Claro que falta ainda muito caminho a percorrer. E que, num campeonato em que a diferença de qualidade dos dois primeiros em relação aos que os seguem é tão visível, tão cavada, qualquer ponto desperdiçado perante os mais fracos é como que um prego no caixão do putativo campeão. E, nesse aspeto, o Benfica só perdeu pontos exatamente para o FC Porto.

De qualquer forma, parece uma jornada pacífica, esta, para encarnados e azuis-e-brancos. No borralho dos lares, perante opositores do rés-do-chão da classificação, não há que esperar senão vitórias. Qualquer resultado para além desse tomaria foros de escândalo e provocaria uma invasão incomodativa de fantasmas que ficariam a vaguear por entre as luzes do Natal...

 

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