11/12/19
 
 
José Paulo do Carmo 29/11/2019
José Paulo do Carmo

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Natal dos Esquecidos

São as pessoas que vivem nas nossas ruas sem nada que pedem coisas tão simples como um casaquinho XL para se abrigarem do frio ou uns sapatos 41 para substituírem os rotos e cansados que já pedem reforma há muito. Eles escrevem ao Pai Natal e cada um de nós tem possibilidade de ser o Pai Natal deles por um dia dando o que eles precisam.

Iniciamos novamente a contagem decrescente para o Natal. Antigamente era uma excitação porque no fim do mês de novembro recebíamos lá em casa aqueles calendários com janelas que escondiam chocolates. Era um por dia correspondentes aos dias do mês, coisa que nunca acabei por cumprir. Eram tão pequeninos que mesmo que começasse muito focado na minha tarefa lá para o dia 6 ou 7 já tinha comido até ao dia 15 e pouco depois já se tinham acabado. No entanto esta sempre foi uma quadra esperada com grande dose de excitação numa espera interminável pela noite de 24. Dois ou três dias antes chegavam os meus Tios para a reunião anual e nós, os mais novos passávamos o resto dos dias a vasculhar os presentes que se faziam acompanhar de uma etiqueta com os nomes para através de apalpadelas tentássemos adivinhar o que nos iria calhar em sorte.

Era uma aventura. Enquanto os mais velhos iam ao café destacávamos dois grupos , um que ficava de sentinela ao cimo da escadaria de casa da minha Avó e o outro que ia “farejar” os embrulhos. Foi assim durante anos mas hoje, quando olho para trás, percebo que o que realmente me apaixonava por esta altura não eram os presentes mas sim a magia que rodeava estes dias. A vinda dos meus primos com quem passava tardes a jogar jogos de tabuleiro que mesmo com a minha prima com um inigualável mau perder tinham sabor a alegria. Divertiam-nos com as mais pequenas coisas e usufruíamos da presença uns dos outros transformando os momentos em sorrisos que ainda recordo com saudades. O cheiro que vinha da cozinha da doçaria da minha avó , desde as filhoses de abóbora ao salame de chocolate e o reforço vindo de fora com as bolinhas de chocolate e amêndoa da minha Tia Mila. Sempre fui de facto um afortunado e felizmente sempre aproveitei esses momentos ao máximo o que fez de mim uma criança muito feliz.

Mas a dura realidade da nossa sociedade não trás essa sorte a todos. É por isso que quando era mais novo não percebia porque é que alguns meninos não gostavam tanto da época natalícia tanto quanto eu. E se é uma altura que puxa aos melhores sentimentos e ao nosso altruísmo é também oportunidade perfeita para passarmos das palavras aos atos. Tantas vezes que dizemos para o ar que se soubéssemos como até ajudávamos. A realidade é que não precisamos de ser super-heróis nem ter poderes galácticos para fazermos a diferença na vida dos que menos têm. Hoje em dia existem centenas de formas de ajudarmos , cada uma à medida que procuramos , às vezes gastando tão pouco e cobrindo de felicidade os olhos de quem passa por nós tantas vezes e nada tem.

O Natal dos Esquecidos é um projeto de cariz social realizado pela CASA - Centro de Apoio aos Sem Abrigo. Promovem uma forma criativa e muito pouco onerosa de ajudar. São as pessoas que vivem nas nossas ruas sem nada que pedem coisas tão simples como um casaquinho XL para se abrigarem do frio ou uns sapatos 41 para substituírem os rotos e cansados que já pedem reforma há muito. Eles escrevem ao Pai Natal e cada um de nós tem possibilidade de ser o Pai Natal deles por um dia dando o que eles precisam. Esta como muitas outras associações merecem ser apoiadas e custa tão pouco… Vamos desta vez fazer um pequeno esforço para dar um Natal um pouco melhor a estas pessoas e contribuir para que se sintam um pouco menos esquecidos. É fácil , basta irem ao Facebook e procurarem pelo nome “Natal dos Esquecidos” e responderem a uma cartinha. Ser feliz é também trazer felicidade aos que menos podem. Vão ver que se vão sentir melhor...e eles agradecem!

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