11/12/19
 
 
António Luís Marinho 29/11/2019
António Luís Marinho
cronista

opiniao@newsplex.pt

Livre? Livra!

É com esta capa de democratas, de lutadores pelas causas do povo que alguns líderes se têm feito eleger, para rapidamente subverterem as regras da democracia.

Mais cedo do que muitos esperariam, começa a cair a fachada democrática e de defensor dos pobres e oprimidos construída pelo Livre, mais uma vez com o apoio de grande setor da comunicação social.

A polémica instalada a propósito da divergência de voto da deputada Joacine Moreira em relação ao diktat da direção do partido pôs a nu aquilo que o grupo de amigos liderado por Rui Tavares realmente é: uma associação de pequenos ditadores com uma ténue capa de democratas, mas cujo verniz estala ao primeiro desentendimento.

A deputada eleita revelou também uma confusão de ideias notável ao longo do bate-boca com a direção do seu partido, leia-se Rui Tavares, numa verdadeira luta de egos. Joacine começou por afirmar que votara daquela forma (abstenção) por não ter conseguido contactar a direção do partido, isto é, não soube para onde se virar. Depois, confrontada com as críticas, explicou que fora eleita sozinha, sem apoio do partido. E até acrescentou um dado mais elucidativo: o que os dirigentes verdadeiramente celebraram foi quando souberam que o partido tivera votos suficientes para receber dinheiro do Estado. Venha a massa, que isso é que interessa!

Mais tarde, Joacine disse tudo ao contrário: afinal, tinha tido apoio do partido. Estava tudo bem, portanto. 

Num evidente crescendo de deslumbramento, surge agora o episódio inédito de o seu assessor (também ele deslumbrado, dentro do espírito) ter pedido que a deputada fosse acompanhada, dentro do Parlamento, por um elemento da GNR, para que não fosse incomodada pelos jornalistas. 

Registo uma declaração do assessor: “O problema não está nos jornalistas, mas em quem lhes paga, bem como sobre os que pagam a quem àqueles paga. O trabalho jornalístico é precário, mal pago, sujeito a desordens mentais”.

Descontado o português do assessor, algo confuso, isto promete. 

Estou expetante em relação à posição que o afoito Sindicato dos Jornalistas vai tomar, tendo em conta a velocidade com que se pronuncia sobre quase tudo.

Regressando ao Livre e outros grupos do género, é com esta capa de democratas, de lutadores pelas causas do povo que alguns líderes se têm feito eleger, para rapidamente se instalarem e subverterem as regras da democracia. 

Os politólogos chamam-lhe autoritarismo competitivo. 

Jornalista

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