25/05/2022
 
 
OPA Benfica. Quando o clube da Luz recusou a oferta de Joe Berardo

OPA Benfica. Quando o clube da Luz recusou a oferta de Joe Berardo

Miguel Silva Daniela Soares Ferreira 27/11/2019 14:36

Em 2007, o empresário lançou uma oferta pública de Aquisição à Benfica SAD com o objetivo de “ajudar o clube”, mas oferta foi recusada.

Esta não é a primeira vez que alguém mostra interesse em comprar ações da Benfica SAD. O mesmo já tinha acontecido em junho de 2007, quando o empresário Joe Berardo lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a maioria do capital da Benfica SAD com o principal objetivo de “ajudar o clube”, uma vez que as ações “estavam já a cair para quase metade”. Berardo garantia que representava “uma boa oportunidade para ajudar o Benfica, que é o meu clube do coração”. Nessa altura, o empresário, através da Metalgest, oferecia 3,5 euros por cada ação e detinha 5291 títulos da Benfica SAD.

E apesar de ter demonstrado satisfação com o trabalho do presidente do clube, Luís Filipe Vieira, o Benfica não decidiu a seu favor, tendo recusado a OPA sobre 85% das ações da SAD, considerando-a “inoportuna”. A resposta era simples: “A contrapartida oferecida, de 3,50 euros por cada ação da sociedade visada, é inferior em mais de 11% à cotação média ponderada das ações da Benfica SAD no período compreendido entre 22 de maio de 2007 (data de admissão à Bolsa) e 14 de junho, que é de 3,94 euros”, lia-se num comunicado do conselho de administração da sociedade que gere o futebol benfiquista.

E é nestes valores que a OPA que agora decorre difere daquela apresentada por Berardo. “À data da OPA de Berardo, o preço médio das ações (quase quatro euros por ação) era superior ao oferecido pelo empresário (3,5 euros por ação)”, explicou ao i André Pires, analista da XTB.

Já David Silva, analista da corretora Infinox, refere que a principal diferença entre os dois casos é quem emite a oferta. “Em 2007, a Metalgest – Sociedade de Gestão, SGPS, SA pretendia adquirir cerca de 85% do capital social da SAD, o que implicaria que o clube não fosse sócio maioritário da SAD, algo que não seria bem aceite pelos associados do clube”, diz ao i.

Ações disparam Ontem, as ações da Benfica SAD fecharam a sessão a valer 4,57 euros, um valor que se tem mantido desde que foi anunciada a OPA. A verdade é que desde que a operação foi lançada, os títulos têm disparado e bateram recordes no dia 18 deste mês (altura em que a OPA foi anunciada): as ações dispararam mais de 70%, para 4,7 euros. Este é um valor histórico para as ações do clube e chegou mesmo a superar o fecho do primeiro dia em que os títulos estiveram cotados em bolsa, em maio de 2007, depois de terem atingido os 4,5 euros. Até ao anúncio desta última oferta e durante o último mês, as ações não chegaram a valer mais do que 2,84 euros.

Outros casos Ao longo dos anos, outros clubes portugueses passaram por ofertas públicas de aquisição ou casos parecidos como, por exemplo, o Futebol Clube do Porto, numa ação que remonta a 2014. O mercado português assim o obrigava e o clube foi obrigado a lançar uma OPA sobre a sua SAD depois de ter adquirido a participação da construtora Somasegue. O presidente Jorge Nuno Pinto da Costa ofereceu 0,65 euros por ação. Apesar de querer adquirir cerca de 12% das ações da SAD, o clube apenas conseguiu obter 3%.

Anos antes, Rui Pedro Soares, ex-administrador da Portugal Telecom, anunciou o lançamento, através da Codecity Sports Management, de uma OPA sobre o Belenenses de 5% do capital da SAD do clube. Nessa altura, Rui Pedro Soares já detinha a maior fatia da SAD, uma vez que em dezembro de 2012 adquiriu 46,93% do capital social por 496 euros. Mais tarde, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) validou o negócio e Rui Pedro Soares pagou um cêntimo por cada ação da sociedade anónima.

 

 

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