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The Crown. Seis histórias reais

The Crown. Seis histórias reais

Mariana Madrinha 26/11/2019 18:59

A oscarizada Olivia Colman é Isabel II na nova temporada de The Crown que, desta vez, se ocupa dos passos da família real britânica entre 1964 e 1977, ano em que a monarca completou 25 anos de reinado. Os escândalos da princesa Margarida, o desastre de Aberfan e a boa relação com o primeiro-ministro Wilson são alguns dos momentos recordados. Mas, afinal, o que é real?

Aberfan

Sexta-feira, 21 de outubro de 1966. O dia amanheceu como tantos outros na vila de Aberfan, no País de Gales, mas as primeiras horas da manhã trariam consigo um dos grandes desastres ocorridos em solo britânico. Por volta das 9h15, a mina de carvão em torno da qual girava a vida do local colapsou e soterrou a escola e parte da vila. Morreram 116 crianças e 28 adultos. O desastre é contado num episódio homónimo na série, que recorda também o facto de Isabel II só ter visitado Aberfan oito dias após o colapso. Instada pelo primeiro-ministro Harold Wilson (Jason Watkins), a rainha começa, na série, por se negar a ir ao local afirmando que seria um empecilho para as operações de resgate, pois de cada vez que aparece toda a gente para o que está a fazer. Não se sabe se este argumento chegou a ser exprimido mas, segundo os seus biógrafos, este será um dos grandes arrependimentos que Isabel II ainda hoje carrega.

Um espião no palácio

A trama parece saída de um guião mas, afinal, trata-se mesmo de um episódio verídico. Sir Anthony Blunt (interpretado por Samuel West) era o curador responsável pelas obras de arte na família real, cargo que ocupava após ter sido nomeado pelo pai da rainha, George VI. Formado em Cambridge, o historiador da arte, antes de trabalhar para a realeza, foi militar e membro do MI5. Mas nessa altura era já um espião recrutado pelos soviéticos que, durante a II Guerra Mundial, passou várias informações secretas à URSS. Foi descoberto em 1964, numa altura em que se dizia desiludido com o comunismo. Na série, um dos motivos apontados para o facto de ter continuado a trabalhar no Palácio de Buckingham prendia-se com uma ameaça que terá feito ao príncipe Filipe, marido da rainha, e que terá sido ficcionada. Certo é que a história foi tornada pública em 1979 por Margaret Thatcher e só nesse ano Anthony Blunt perdeu os títulos que lhe haviam sido concedidos.


O discurso em galês do príncipe Carlos

No sexto episódio da temporada, Carlos (interpretado por Josh O’Connor) torna-se príncipe de Gales. A cerimónia decorreu no Castelo de Caernarfon, no País de Gales, a 1 de julho de 1969, contou com quatro mil convidados e foi transmitida na televisão. Numa altura em que as pretensões independentistas estavam particularmente ativas, Carlos foi enviado durante um semestre para a Universidade de Aberystwyth para conhecer mais de perto a história do País de Gales e poder discursar em galês no dia da investidura. Tal aconteceu, de facto, mas ao contrário do mostrado na série, metade do discurso foi também feito em inglês. Tedi Millward foi o professor responsável pelo “treino” do príncipe. Em 2015, numa entrevista ao Guardian, o tutor designado contou que recebeu a incumbência com surpresa, visto que era um “conhecido nacionalista”. 


A amizade com Wilson

A terceira temporada da série termina em 1977 e, só até essa altura, sete primeiros-ministros já tinham governado em nome da rainha. Se, logo no início, Isabel II se despede de Winston Churchill, no leito de morte deste, com um beijo na testa – episódio ficcionado –, no final teremos Isabel II a despedir-se de Harold Wilson que, depois de dois mandatos (1964-70 e 1974-76) intercalados, acabará por resignar devido a doença. Wilson foi um primeiro-ministro trabalhista e chegou a ser investigado por supostas ligações à Rússia, que se revelaram falsas. Contrariamente ao esperado, Isabel II e Wilson tornaram-se amigos e, tal como aparece na série, a rainha foi jantar ao número 10 de Downing Street com o primeiro-ministro, em 1976, honra que até aí só tinha concedido a Churchill.

Alice, a mais peculiar

A figura de Alice de Battenberg, mãe do príncipe Filipe, é porventura uma das mais surpreendentes da nova temporada. E não foi preciso acrescentar camadas narrativas ao percurso impressionante da sogra da rainha. Nascida no Castelo de Windsor, Alice era bisneta da Rainha Vitória e era parcialmente surda e, em criança, acreditavam que tinha um atraso. Casou em 1903 com um príncipe grego, André, e teve quatro filhas e um filho, o futuro consorte da monarca britânica. Quando a monarquia grega caiu, em 1917, a família foi forçada ao exílio. Nos anos 30, a princesa foi diagnosticada com esquizofrenia e tratada por Freud, um homem que não era bom, dirá na série Jane Lapotaire, a atriz que lhe dá vida. Depois dos tratamentos, vendeu tudo, tornou-se freira e fundou o mosteiro em Atenas retratado na série. Em 1967, após um golpe de Estado na Grécia, foi viver para o Palácio de Buckingham e, ao contrário do mostrado na série, o filho nunca se opôs a tal. Morreu em 1969.

O affair de Margarida

Interpretada por Helena Bonham Carter, Margarida, a irmã mais nova de Isabel II, está em destaque nesta terceira temporada. No final da série, com o casamento com Antony Armstrong-Jones (Ben Daniels) por um fio, e depois de o marido a trair, a princesa envolve-se com Roddy Llewellyn, 17 anos mais novo. Os paparazzi fotografaram efetivamente o casal de férias na ilha caribenha de Mustique e as imagens foram um escândalo no Reino Unido, uma vez que Margarida ainda era casada. O caso foi apenas mais uma gota de água para o fim do casamento da princesa, que namorou com Llewellyn durante perto de dez anos. A cena em que Margarida obriga Roddy a experimentar uns microcalções de banho estampados com a Union Jack é tão bizarra que pode parecer uma invenção do argumentista Peter Morgan, mas... aconteceu de facto.
 

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