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Marcelo. “Que ninguém tente apropriar-se de datas nacionais” como o 25 de Novembro

Marcelo. “Que ninguém tente apropriar-se de datas nacionais” como o 25 de Novembro

Rui Ochôa/Presidência da República Cristina Rita 26/11/2019 10:41

PR não quer lutas conjunturais sobre memória da ação militar e almoçou com Ramalho Eanes. Ventura diz que Belém lhe quis retirar protagonismo.

O Presidente da República tratou o tema com pinças para travar divisões na sociedade. Marcelo Rebelo de Sousa chamou ontem o general Ramalho Eanes para almoçar e assinalar o “significado nacional do 25 de Novembro de 1975”. O chefe de Estado puxou, desta forma, por uma figura considerada “central do 25 de Novembro” e, ao mesmo tempo, representante do equilíbrio e de prestígio acumulado (foi presidente da República entre 1976 e 1986).

Feito o contexto, Marcelo Rebelo de Sousa não se atravessou na defesa de um evento nacional para assinalar a data, porque quem deve decidir é o Parlamento. Nem quis revelar se era a favor ou contra uma cerimónia oficial com estatuto igual ao do 25 de Abril. Porém, o Presidente da República deixou um aviso: “Que ninguém tente apropriar-se de datas nacionais: nem do 25 de Abril, nem do 5 de Outubro, nem do 10 de Junho, nem também, noutro plano, do 25 de Novembro”, declarou, citado pela RTP à margem de uma visita ao Espaço Júlia - RIAV (Resposta Integrada de Apoio à Vítima), em Lisboa.

Marcelo lembrou a data, mas sem margem para divisões: “Convidei o senhor Presidente Ramalho Eanes para simbolizar que o 25 de Novembro é uma data nacional. Quer dizer, portanto, que é uma data que pertence a todos, não é uma data que possa ser fracionada, dividida, objeto de lutas conjunturais”.

O enquadramento impunha-se porque nas últimas semanas surgiu o debate sobre se o 25 de novembro deve merecer , ou não, uma cerimónia equiparada ao 25 de Abril, data em que o Parlamento faz uma sessão solene com as principais figuras do Estado e se discursa sobre a democracia, a liberdade e os desafios futuros para o país.

 

CDS e Chega em competição?

A proposta de uma sessão solene partiu do Chega, inicialmente, mas o próprio CDS também lembrou que defendia, desde 2006, uma ideia similar, e entregou projetos nesse sentido. Pelo caminho os centristas pediram a Ordem da Liberdade para quem participou no 25 de Novembro de 1975.

Ontem, André Ventura fez também uma proposta que serviu de desafio a Marcelo: quer a Ordem da Liberdade para o Regimento de Comandos. No Parlamento, Ventura promoveu ainda uma sessão evocativo com cerca de 40 minutos, tendo prestado homenagem a Jaime Neves, que liderou os Comandos no 25 de Novembro. Mas não houve uma palavra, sequer, para Ramalho Eanes.

André Ventura disse ao i que Marcelo “nunca deu qualquer importância à data até o Chega levantar esta questão”. Mais, hoje o que [Marcelo Rebelo de Sousa ] quis foi apenas retirar protagonismo ao Chega nesta nossa celebração”.

De facto, a ação militar que colocou um ponto final no Processo Revolucionário em Curso (PREC) tem leituras diferentes, conforme alguns quadrantes da sociedade portuguesa. Vasco Lourenço, capitão de abril , já disse que é contra “a comemoração do 25 de novembro”. A data divide a sociedade e os partidos e, no voto de saudação apresentado pelo CDS no passado dia 22, o texto teve os votos a favor do PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal, além de 7 deputados do PS. Os socialistas abstiveram-se (tal como o PAN) e tanto o BE como o PCP votaram contra. A IL também promoveu uma festa da liberdade, em Oeiras.

 

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