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Marta F. Reis 21/11/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

A descentralização simbólica

Estranha-se que o interior do Alentejo e do Algarve, com alguns dos concelhos com menor densidade populacional do país, como é o caso de Alcoutim, não receba nenhuma secretaria de Estado.

Descentralizar o Governo seria sempre uma medida simbólica. Mas se assim era e o objetivo era firmar um empenho renovado no aumento da coesão territorial, a opção por deslocalizar três secretarias de Estado (em 50) para as zonas de residência dos seus titulares acaba por parecer pouca ambição e ser tão ou mais simbólico do desafio que o país enfrenta: a questão está em atrair para o Interior – investimento, jovens, quadros para escolas e hospitais – e os três nomes escolhidos pelo Governo para dar o exemplo, com toda a sensibilidade que terão para a problemática, não precisarão de incentivo. E estranha-se que o interior do Alentejo e do Algarve, com alguns dos concelhos com menor densidade populacional do país, como é o caso de Alcoutim, não receba nenhuma secretaria de Estado, numa senda de descentralização que esquece, também simbolicamente, uma parte do país. De qualquer forma, a substância é que importa e faltarão agora as medidas e o necessário investimento nos serviços públicos, que permitam reduzir desigualdades até de oportunidades, olhando-se de vez para o país como um todo e não como um retângulo dividido ao meio, cada vez com menor densidade populacional fora dos maiores centros. Ontem, ao telefone com a TSF, a antiga coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior dizia que ia a caminho de Vila Nova de Foz Côa e que talvez ficasse sem rede... uma das pequenas limitações que continua a verificar-se por esse país fora. Há um ano, numa edição que dedicámos aos problemas do Interior, as queixas prendiam-se com os transportes lentos ou inexistentes, custos acrescidos para as empresas em combustível e portagens, falta de consultas de especialidade na proximidade – e aí não só fixação de equipas mas reorganização dos serviços pudesse ser útil, com maior deslocação de especialistas aos centros de saúde, havendo equipas suficientes nos hospitais. Estão mais altas as expectativas, veremos o que se concretiza. 

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