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Manif. Mais de dez mil polícias em protesto numa missão que pode ser de alto risco

Manif. Mais de dez mil polícias em protesto numa missão que pode ser de alto risco

José Sérgio Cristina Rita 20/11/2019 13:25

Associações prometem iniciativa pacífica, mas antigo presidente de observatório tem receios sobre Movimento Zero.

O descontentamento vivido na PSP e na GNR pode juntar amanhã, junto ao Parlamento, acima de dez mil membros das duas forças de segurança. As contas, em jeito de estimativa, foram feitas ao i pelo presidente Associação dos Profissionais Da Guarda (APG/GNR), César Nogueira.

“Esperam-se muitos milhares, acima de dez mil com certeza”, admite o militar da GNR, lembrando que os profissionais “estão desmotivados e descontentes”.

A iniciativa que começará no Marquês de Pombal e termina no Parlamento, reúne elementos tanto da PSP como da GNR.

O objetivo é acautelar atualizações salariais, de suplementos ou um subsídio de risco (aprovado pelo Parlamento como recomendação em janeiro de 2018). As melhores condições de trabalho e o reforço do número de efetivos também estão na lista de reivindicações, tanto da APG/GNR como da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP). As duas associações sindicais uniram esforços para tentar pressionar o Governo a aplicar algumas medidas pendentes da anterior legislatura e acautelar mais meios para as forças policiais.

Paulo Rodrigues, presidente da direção da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), explica ao i que uma das suas reivindicações é a remuneração: “Não é admissível que um elemento da polícia fique a ganhar menos de 1300 euros. Deveria ser o valor mínimo para qualquer polícia em início de carreira. Neste momento [no início de carreira]leva-se cerca de 890 euros”.

Por seu turno, César Nogueira defende ainda que a GNR precisava de 5 mil novos elementos e que as entradas (houve reforços em 2018 e 2019) são insuficientes, tendo em conta que muitos operacionais passarão à condição de reserva.

Estes temas foram abordados esta semana com o ministro da Administração Interna que salientou, em comunicado, a “preparação, em diálogo com os sindicatos e as associações profissionais” de vários dossiês, a saber, a nova Lei de Programação das Infraestruturas e Equipamentos para as Forças e Serviços de Segurança do MAI, para a período pós-2021.

Já ontem, o ministro que tutela a PSP e a GNR, Eduardo Cabrita, recusou que os protestos de amanhã sejam contra o programa de Governo e enalteceu o direito à greve. “O direito de manifestação não tem nada a ver com isso [o programa do Governo], o direito de manifestação é um direito democrático”, declarou Eduardo Cabrita aos jornalistas, citado pela RTP. O governante falava à margem 152.º aniversário do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.

Apesar de pretender demonstrar que há margem para o diálogo com as associações sindicais, Eduardo Cabrita também lembrou que “uma agressão a um polícia é uma agressão ao Estado de Direito”. Esta foi a resposta a uma pergunta sobre eventuais problemas na manifestação de amanhã, que terá, de um lado, polícias em protesto, e do outro, polícias a garantir a ordem pública. O recado estava dado.

 

A preocupação com o Movimento Zero

De facto, tem havido sinais públicos de apreensão com a manifestação de amanhã, não pelo protesto, mas pelo receio de um movimento inorgânico criado entre forças de segurança em maio deste ano. Chama-se Movimento Zero e foi lançado nas redes sociais. Por ser inorgânico – e não se conhecerem os seus líderes – levantou inquietudes e receios, sobretudo entre os especialistas em segurança.

Há uma semana, o atual presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), António Nunes, manifestou à Lusa a sua preocupação: “Estes movimentos vão surgir colados a alguns populismos, podem ser perigosos, tanto mais que, no caso do Movimento Zero, agrupa várias organizações do sistema de segurança interna que detêm informação, potencial de armamento, potencial de organização, formação nas técnicas de combate e anticombate e, portanto, são situações que temos de ter algum cuidado”.

Para o antigo presidente da OSCOT, José Manuel Anes, “este movimento zero é um grande ponto de interrogação”, confessando mesmo a sua “inquietude” ao i . Mais, no protesto de amanhã, José Manuel Anes até dá alguns conselhos: “Temos de estar preparados para uma manifestação de alto risco”.

José Manuel Anes diz ter toda “a confiança nos sindicatos já estabelecidos, quer da PSP, quer da GNR”. Mas adverte: “Não tenho confiança nenhuma nestes movimentos inorgânicos , que não se sabe qual é a sua ideologia”. Em causa estão receios de distúrbios. Porém, tanto Paulo Rodrigues como César Nogueira tentaram esvaziar qualquer polémica. O movimento é composto por elementos da PSP e da GNR e ambos acreditam que a lei será cumprida.

“Está-se a especular muito e acaba por abafar aquilo que são as razões da manifestação”, desabafa o dirigente sindical da PSP, Paulo Rodrigues, para quem tudo correrá bem. “Nós queremos que a força da manifestação seja o número de participantes e não nenhum ato irrefletido”. concluiu o dirigente sindical.

 

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