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A invasão de Alcochete segundo os GNR. Defesa diz que auto de notícia é nulo

A invasão de Alcochete segundo os GNR. Defesa diz que auto de notícia é nulo

Bruno Gonçalves Carlos Diogo Santos 20/11/2019 11:13

Testemunha admitiu que só assinou o auto de notícia um ou dois dias depois do ataque. Outro militar descreveu o estado de espírito dos jogadores.

Na segunda sessão do julgamento da invasão à academia de Alcochete eram para ser ouvidos seis militares da GNR, mas só houve tempo para três. E o último foi acusado pela defesa de ter produzido um auto de notícia dos acontecimentos nulo.

Durante a manhã foi ouvido apenas um dos militares da GNR de Alcochete que estiveram dentro da academia do Sporting no dia em que tudo aconteceu – 15 de maio de 2018. A testemunha começou por contar que os elementos que levaram a cabo o ataque ainda foram vistos a fugir, com capuzes, e adiantou que se recordava de um dos carros envolvidos – um BMW que quase levou à frente um carro de patrulha que tentou travá-lo. Ainda assim, disse não ter conseguido ver a cara de quem seguia nessa viatura.

Já sobre o cenário que mais tarde acabou por encontrar no balneário, o mesmo militar explicou que apenas viu tudo remexido, algumas coisas danificadas e sangue no chão. “Não me recordo de me ter cruzado com algum jogador do Sporting”, afirmou perante o coletivo de juízes e as defesas, deixando claro não ter visto ninguém ferido. Este foi um tema sobre o qual a testemunha acabaria por ser questionada por Aníbal Pinto, advogado de quatro arguidos.

Quanto aos elementos em fuga, garantiu que foram chamados reforços para tentar localizá-los.

Já depois de a sessão ter sido interrompida para almoço, o advogado Aníbal Pinto pronunciou-se sobre a reconstituição que foi pedida pela defesa do ex-presidente leonino Bruno de Carvalho: “Não faz sentido uma reconstituição [...] o que podia ser importante era uma visita ao local, fala-se em portas de vidro, portas fechadas, saídas de emergência...”

Já da parte da tarde foi ouvido o militar que conduzia o primeiro carro a chegar a Alcochete, que começou por explicar que a prioridade foi perceber se havia ainda algum dos invasores dentro das instalações: “O vigilante que estava na portaria disse que já tinham saído todos. Então voltamos para trás para tentar identificar os fugitivos. Na altura vi uns 30 indivíduos, alguns encapuzados, outros não. E cinco ou seis carros no parque”, disse, fazendo referência ao BMW já referido pelo colega.

“Recordo-me de falar com o Rui Patrício. A minha função ali era dizer aos jogadores para esperarem no local, que alguém iria falar com eles. O ambiente que vi era misto”, acrescentou André Medinas, dando exemplos de jogadores que estavam mais agitados e outros que não apresentavam grande nervosismo, como era o caso de Mathieu. E disse não se recordar se terá ou não visto Bruno de Carvalho junto ao balneário.

O último a ser ouvido foi o comandante do posto da GNR de Alcochete, Márcio Alves. Depois de ter sido avisado pelo diretor de segurança da academia, contou, começou por enviar um carro-patrulha, tendo depois, com a escalada da violência, ido diretamente para o local.

Perante o coletivo disse, no entanto, não se lembrar como estava o balneário. Mas as dúvidas começaram quando a defesa de um dos arguidos, a cargo de Miguel Matias, questionou o militar sobre quando teria assinado o auto de notícia, ao que este disse ter sido no dia a seguir ou dois dias depois. Perante tal informação, a defesa pediu a nulidade do documento, sendo depois sugerido por outro advogado que quem esteve no local fora o comandante distrital da GNR de Setúbal, e não Márcio Alves. Para Miguel Matias, esta situação vem demonstrar as incoerências de todo este caso.

 

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