16/12/19
 
 
Ticiano, Rubens e o acordo inédito que em Londres reúne obras separadas por séculos

Ticiano, Rubens e o acordo inédito que em Londres reúne obras separadas por séculos

Dreamstime Cláudia Sobral 19/11/2019 21:21

Pela primeira vez em 119 anos de história, a Wallace Collection empresta uma obra num acordo que o diretor da National Gallery de Londres assinala como “um marco”.

É uma daquelas histórias que poderão contar-se duas vezes, a partir de dois pontos de vista: do da obra de Rubens ou da de Ticiano. Isto porque a National Gallery de Londres vai emprestar à Wallace Collection A View of Het Steen in the Early Morning, o que permitirá a reunião dessa obra de Rubens de 1636 com Rainbow Landscape, pertencente à coleção de arte acolhida pela Hertford House, na capital britânica. Pintadas no mesmo ano para serem vistas em conjunto, as duas paisagens do pintor flamenco da primeira metade do século XVII estarão em exibição em conjunto pela primeira vez em mais de 200 anos na Wallace Collection.

Para o conseguir, a Wallace Collection acordou emprestar à National Gallery uma pintura de Ticiano que permitirá ao museu de Trafalgar Square expôr o conjunto das seis obras mitológicas do pintor renascentista italiano – “poesie”, como lhes chamou Ticiano (1488/90-1576) – pela primeira vez em quatro séculos. Um acordo de empréstimo inesperado, até por se tratar do primeiro, da coleção criada em 1897 por Richard Seymour-Conway, Marquês de Hetford. Anunciados ontem, os acordos surgem no seguimento do anúncio da Wallace Colelction de que começaria a emprestar obras do seu acervo a outros museus e coleções.

Um empréstimo inaugural que o diretor da National Gallery, Gabriele Finaldi, considerou um “marco importante”, explicando, citado pelo Guardian: “O público é o beneficiário. Passaram a poder acontecer coisas que antes não eram possíveis e isso será extraordinariamente interessante e emocionante para o público e os académicos”.

As suas paisagens de Rubens foram pintadas durante um retiro do pintor numa casa a meio de caminho entre Antuérpia e Bruxelas, e foram pintadas para si: permaneceram juntas, com o artista flamenco, até à sua morte, em 1640. Daí a importância da sua reunião que, como moeda de troca para a reunião das obras mitológicas de Ticiano na Wallace, tornou possível. A última vez que tinham sido expostas juntas foi em 1815 na British Institution, criada no início do século XIX com duas exposições anuais, uma dedicada aos mestres da pintura, outra a arte contemporânea britânica. Depois disso, tinham sido reunidas mas secretamente, nos ateliês de conservação da National Gallery, em meados da década de 1990, segundo contou agora o diretor da instituição. “Foi tão secreto, eu era curador nessa época, e nem eu soube. Ao voltar a juntá-las teremos a possibilidade de perceber a intenção de Rubens. Vamos poder ver como as duas pinturas funcionam em conjunto”.

A obra que a Wallace empresta em troca ao museu público – Perseus and Andromeda, datada de 1554–56 – será exibida pela National Gallery na próxima primavera na exposição Titian: Love, Desire, Death, que reúne as seis pinturas mitológicas encomendadas a Ticiano por Filipe II de Espanha e para a qual a instituição contou com empréstimos de obras do pintor veneziano pertencentes às coleções do Prado, de Madrid, do Gardner Museum, de Boston, e do duque de Wellington.

 

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