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Cinco faixas para recordar José Mário Branco
José Mário Branco

Cinco faixas para recordar José Mário Branco

José Mário Branco Jornal i Hugo Geada 19/11/2019 19:14

“Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto”. Apesar de nos ter abandonado hoje, aos 77 anos, a música de José Mário Branco permanecerá para ser ouvida, desfrutada, estudada e, acima de tudo, para recordar esta que foi uma das maiores vozes da música portuguesa. Deixamos cinco faixas para recordar o eterno músico.

1. Inquietação

“É só inquietação, inquietação”, é provavelmente a linha mais reconhecida do cantautor, que nunca deixou de cantar contra o que o inquietava. Acompanhado por uns acordes de uma guitarra que teimava em fugir para a bossa-nova, é um dos melhores exemplos não só da filosofia do músico, mas também do seu ecletismo. Recebeu uma atualização respeitável pelas mãos e voz de JP Simões no álbum 1970 (lançado em 2006).

 

2. FMI

O épico lírico e instrumental que se estende em duas partes diferentes poderia ter sido escrito durante a crise que afetou Portugal esta década, mas foi concebida em 1979 e lançada em 1982. A música, originalidade e influência de José Mário Branco nunca esteviveram tão presentes como neste trecho com cerca de 25 minutos. Os Linda Martini utilizaram o poema que abre a segunda parte da música como sample na faixa Partir Para Ficar, do disco Olhos de Mongol (2006).

 

3. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

A ditadura obrigou o músico a exilar-se em França, em 1963, e foi neste exílio, quando releu o soneto Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, de Luís de Camões, que lhe surgiu a ideia para criar esta música. Com o instrumental da música La Nouvelle Génération, do seu amigo compositor francês Jean Sommer, assim nasceria a música, cuja única mudança, em relação ao soneto original, pode ser vista no refrão: “E se todo o mundo é composto de mudança/ troquemos-lhe as voltas, que inda o dia é uma criança”.

 

4. Qual é a Tua, ó Meu

Mais uma faixa do icónico álbum Ser Solidário (1982), uma divertida canção onde perguntava “Qual é a tua, ó meu? / Andares a dizer ‘quem manda aqui sou eu’?” a alguém que andava a (des)construir a Lisboa que conhecia, desde o Intendente até à Buraca. Outra faixa intemporal que, olhando para a gentrificação e para todas as construções feitas para agradar turistas, podia ser aplicada aos tempos que correm.

 

5. Canto dos Torna-Viagem

Esta faixa é talvez mais reconhecida no contexto dos Três Cantos, grupo que juntava o igualmente lendário Fausto, autor de Por Este Rio Acima, e o incontornável Sérgio Godinho. Uma proposta irrecusável ouvir estes três senhores da música portuguesa cantar esta faixa em uníssono.

 

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