16/12/19
 
 
Vítor Rainho 18/11/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Os portugueses devem muito ao 25 de Novembro

Que o PCP, o BE e o Livre estejam contra o 25 de Novembro, percebe-se. Afinal, sonham com um regime totalitário e qualquer evocação da liberdade conquistada não lhes agrada. 

O 25 de Novembro sempre foi um espinho cravado na esquerda mais radical de Portugal e é, pois, natural que sempre que alguém fale em celebrar a data logo surjam os protestos. André Ventura, beneficiando da onda de choque que foi a sua chegada ao Parlamento, quer que o 25 de Novembro tenha as mesmas honras que o 25 de Abril na Assembleia da República, com sessão solene evocativa da data.

Já antes o CDS o tinha feito, mas não com o barulho que o Chega agora consegue. Se a revolta dos capitães de Abril possibilitou ao país acabar com uma ditadura de 48 anos, o 25 de Novembro garantiu que Portugal não fosse dominado pela extrema-esquerda, que ainda sonhava com um regime comunista, decalcado da União Soviética.

Não se percebe, portanto, que a data não mereça alguma solenidade e que na Assembleia não se faça o devido elogio aos homens que travaram a implementação do comunismo no país. Que o PCP, o BE e o Livre estejam contra o 25 de Novembro, percebe-se. Afinal, sonham com um regime totalitário e qualquer evocação da liberdade conquistada não lhes agrada.

O PCP, que estava na linha da frente na ocupação de terras e na nacionalização da economia portuguesa, levou uma verdadeira machadada nesse processo revolucionário em curso. Otelo Saraiva de Carvalho, um dos obreiros do 25 de Abril, recupera agora a teoria de que o 25 de Novembro não passou de uma farsa, já que Cunhal esteve por detrás de tudo, tendo combinado o “golpe” com Melo Antunes, o líder do Grupo dos Nove, numa espécie de aliança entre Moscovo e Washington.

Segundo Melo Antunes, que deu uma entrevista na véspera da neutralização do golpe de Estado preparado pelo PCP, Cunhal queria instalar o caos numa primeira fase, usando os partidos à sua esquerda, para depois, através das Forças Armadas, recuperar a normalidade democrática, leia-se, instauração do socialismo soviético. Melo Antunes teve ainda a lucidez de não excluir o PCP do processo de democracia em curso.

Se tivesse afastado os comunistas, o país teria caído no inferno. Perante tudo o que se passou, Melo Antunes, Jaime Neves, Ramalho Eanes, entre muitos outros, não merecem ser homenageados? Estranho país este que não valoriza a democracia. Os portugueses devem muito ao 25 de Novembro Vítor Rainho EDITORIAL

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