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Montepio. Pedro Alves retira nome e lugar de CEO fica vago

Montepio. Pedro Alves retira nome e lugar de CEO fica vago

Diana Tinoco Sónia Peres Pinto 12/11/2019 10:01

Um dos nomes apontados é agora Leandro Silva, atual administrador executivo do banco e um dos braços-direitos de Carlos Tavares.

O atual administrador do Banco Montepio e também presidente do Banco Montepio Crédito retirou o seu nome para ser o futuro CEO da instituição financeira. Ao que o i apurou, o atraso na avaliação da idoneidade e as exigências do Banco de Portugal levaram Pedro Gouveia Alves a pedir para não ser nomeado.

O i sabe que o regulador, para analisar o nome do futuro CEO, exige que os restantes lugares no conselho de administração sejam preenchidos, quer fazer uma avaliação coletiva, pretende saber qual será o destino de Dulce Mota – CEO que foi nomeada interina – e continua à espera que os estatutos sejam alterados.

Esta falta de interesse por parte de Pedro Gouveia Alves já foi comunicada tanto a Carlos Tavares, chairman da instituição financeira, como a Tomás Correia, o ainda presidente da associação mutualista. Aliás, os dois tinham reunião marcada no Banco de Portugal (BdP) esta segunda-feira, na qual se esperava que apresentassem um novo nome para a nova presidência executiva do Banco Montepio, mas o encontro foi desmarcado.

Ao que o i apurou, um dos nomes falados é Leandro Silva, ex-chefe de gabinete de Tavares quando era ministro da Economia no Governo de Durão Barroso e atual administrador executivo. Este foi um dos recursos que Carlos Tavares levou para a instituição financeira. A par de Leandro Silva, também Carlos Alves, número dois do conselho diretivo da CMVM quando Tavares liderava o regulador, assumiu funções de administrador não executivo do banco.

Cabe ao novo presidente a recuperação dos resultados do banco. O Montepio registou lucros de 3,6 milhões de euros no primeiro semestre – dos quais 3,2 milhões dizem respeito ao Montepio Crédito, liderado por Pedro Gouveia Alves – quatro vezes menos do que os 15,8 milhões de euros dos primeiros seis meses de 2018. A instituição financeira explicou que para esta queda do resultado líquido em 77% contribuíram fatores como “menor contribuição do Finibanco Angola (menos 5 milhões de euros) e a menor eficiência fiscal face à verificada no primeiro semestre de 2018 (mais 8,5 milhões em impostos)”. Também a diminuição do produto bancário (menos 18,5 milhões de euros face a junho de 2018), conjugada com os impactos positivos resultantes da redução dos custos operacionais (menos 7,3 milhões de euros em relação ao período homólogo de 2018), contribuiu para esta redução dos resultados.

Equilibrar as relações entre trabalhadores e administração é outro desafio do futuro CEO. Tal como o SOL avançou, os resultados do inquérito realizado pela comissão de trabalhadores da instituição financeira foram arrasadores, o que levou o conselho de administração a comprometer-se a apresentar “medidas o mais urgentemente possível para colmatar algumas deficiências apontadas”.

Relação frágil A relação entre Dulce Mota e Carlos Tavares foi-se deteriorando nos últimos meses e ganhou novos contornos com o lançamento do Banco de Empresas Montepio (BEM). Dulce Mota – como o SOL também avançou, em maio – não estaria confortável com este projeto e chegou mesmo a partilhar o seu descontentamento tanto interna como externamente.

Lançado no início desse mês, o BEM tem como objetivo ficar com as mais importantes empresas clientes do banco, o que, no entender de Dulce Mota, estará a esvaziar a carteira de clientes do Montepio e a deixar a instituição financeira em maus lençóis. Na altura do lançamento, o projeto foi apresentado com a ideia de que iria “ajudar a resolver problemas há muito identificados no nosso tecido empresarial, como os constrangimentos à capitalização e ao acesso a fontes de financiamento alternativas por parte das empresas”. O objetivo seria “suprir falhas do mercado” e responder às necessidades de crescimento do tecido empresarial português, num universo potencial de mais de cinco mil empresas.

O BEM contará com dez espaços empresa – situados em Aveiro, Braga, Leiria, Lisboa e Grande Lisboa, Porto e Grande Porto, Faro e Viseu – e trabalha apenas com quem tenha uma faturação superior a 20 milhões de euros.

Recorde-se que os estatutos do Banco de Empresas Montepio permitem-lhe ter 12 administradores. Tal como o SOL avançou, a ambição de Carlos Tavares é abrir o capital do BEM a investidores externos. Atualmente, o capital do banco de empresas é de 180 milhões de euros, mas poderá vir a ter de ser reforçado e a associação mutualista poderá não ter capacidade de injetar dinheiro. Aliás, a hipótese de abrir capital a outros investidores chegou a ser referida pelo chairman num encontro de quadros realizado em novembro, em Ílhavo.

 

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