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Lula da Silva. "Bolsonaro nunca fez um discurso que prestasse"

Lula da Silva. "Bolsonaro nunca fez um discurso que prestasse"

09/11/2019 18:55

Após ser libertado da prisão, o ex-presidente do Brasil diz que quer contribuir para a reconstrução do país, apontando já às eleições de 2022

Um dia depois de ser libertado da prisão, Lula da Silva fez um discurso dirigido aos milhares de apoiantes que o receberam em São Paulo. O antigo presidente da República do Brasil foi muito crítico para com Jair Bolsonaro, apontando para as próximas eleições presidenciais, agendadas para 2022.

"Não posso ver o país que construimos ser destruído. Se as pessoas tiverem onde trabalhar, se tiverem salário, se tiverem onde estudar, se tiverem acesso à cultura, a violência vai cair. Temos de viver contra a distribuição de armas do Bolsonaro. Vamos distribuir livros, vamos distribuir emprego, vamos distribuir o acesso à cultura. Este é o país que o Brasil quer e sabe construir", frisou Lula, antes de virar agulhas para Bolsonaro, "um presidente que nunca fez um discurso que prestasse": "Encontrou-se com um príncipe que matou e esquartejou e fez carne moída de um jornalista", disparou, referindo-se ao príncipe saudita Mohammed bin Salman e associando-o à morte do jornalista Jamal Khashoggi. "Queremos que esta gente saiba que este país é nosso", acrescentou.

Garantindo que o objetivo é chegar às próximas eleições presidenciais - "Tenho a certeza que, se tivermos juízo e soubermos trabalhar direitinho, em 2022 a chamada esquerda de que o Bolsonaro tem tanto medo vai derrotar a ultradireita que nós tanto queremos derrotar" -, Lula da Silva disse ainda que preferiu ser preso a refugiar-se numa embaixada ou noutro país "para provar um ponto". "Fui para lá para provar que o juiz [Sérgio] Moro [atual ministro da Justiça] era um canalha que me estava a julgar, para provar que o procurador Deltan Dallagnol não representa o Ministério Público, que é uma instituição pública, e que montou uma quadrilha com a Lava Jato. Se eu saísse do Brasil ia ser tratado como fugitivo, mas decidi enfrentar as feras", atirou.

O antigo chefe de Estado do Brasil, hoje com 74 anos, governou o Brasil entre 2003 e 2010, tendo sido preso após ser condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), num processo sobre a posse de um apartamento, que os procuradores alegam ter-lhe sido dado como suborno em troca de vantagens em contratos com a estatal petrolífera Petrobras pela construtora OAS. Esta sexta-feira, depois de 580 dias de cárcere, viu a sua libertação decidida por um juiz em menos de 24 horas após uma decisão do STF, na quinta-feira, ter alterado a jurisprudência e proibir a prisão após condenação em segunda instância dos réus que recorrem para tribunais superiores.

"Cá estou eu, livre como um passarinho, durmo toda a noite, com a consciência tranquila dos homens justos e honestos. Duvido que o Moro e Dallagnol durmam tranquilos como eu. Duvido que o Bolsonaro durma com a consciência tranquila como eu, que o ministro Guedes [da Economia], destruidor de sonhos e de empregos, durma de consciência tranquila", disparou o histórico líder do Partido dos Trabalhadores, garantindo não querer "vingança" mas sim a "reconstrução do Brasil".

Ainda antes deste discurso, Lula da Silva havia enviado uma mensagem em vídeo dirigida a líderes da esquerda latino-americana reunidos em Buenos Aires onde disse estar com "muita disposição para lutar contra o lado podre da Justiça, da polícia e da imprensa brasileira". "Estou com muita disposição de andar pelo Brasil, com muita vontade de viajar pela América Latina. E estou com muita disposição de combater o lado podre do Poder Judiciário, o lado podre da Polícia Federal, o lado podre da Receita Federal, o lado podre do Ministério Público e o lado podre da imprensa brasileira", refere o antigo presidente do Brasil no vídeo enviado à reunião do Grupo de Puebla, acrescentando: "A elite latino-americana é muito conservadora e não aceita a ideia de um povo pobre subir um degrau na escala das conquistas sociais".

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