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Presidente do Conselho Regional do Sul diz ser impossível fazer escalas em segurança

Presidente do Conselho Regional do Sul diz ser impossível fazer escalas em segurança

Marta F. Reis 09/11/2019 09:59

Urgências de Santa Maria e Garcia de Orta estão no centro das preocupações, mas o problema é estrutural, diz Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos. "A situação vai agravar-se", alerta Alexandre Valentim Lourenço.

 

Depois da denúncia de colapso eminente na urgência do Hospital de Garcia de Orta, em Almada, os chefes de serviço da urgência central do Hospital de Santa Maria alertaram esta semana para a falta de especialistas para garantir cuidados de qualidade e segurança e entregaram declarações de escusa de responsabilidade à administração do centro hospitalar. Sindicatos e Ordem falam de um problema anunciado, por falta de contratações e equipas de médicos cada vez mais envelhecidas. E as dificuldades estendem-se a outros hospitais. João Proença, do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, alerta que a urgência de oftalmologia de S. José está sem médicos para garantir o banco ao domingo, o que levará todos os doentes para o outro ponto da urgência metropolitana, em Santa Maria. "Daqui a três meses, se nada for feito, temos alguns hospitais a encerrar serviços dia sim dia não", diz o dirigente sindical. O Santa Maria tem estado também a receber doentes do Amadora-Sintra, quando a capacidade da urgência atinge o limite, além dos doentes encaminhados da urgência pediátrica de Almada, que tem estado fechada ao fim de semana.

Ao jornal SOL, Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul, diz que as medidas tomadas no verão para mitigar a crise de falta de pessoal nas urgências das maternidades foram pontuais e não estruturais e avisa que a situação vai agravar-se enquanto não for dada autonomia aos hospitais para contratar e não houver alterações nas remunerações, corrigindo por exemplo as diferenças entre o valor hora pago aos médicos dos quadros e aos tarefeiros, que chegam a ganhar quatro vezes mais. "Neste momento é impossível garantir escalas em segurança", alerta, adiantando que têm uma reunião marcada no Hospital de Santa Maria para a próxima quarta-feira, onde os médicos denunciam que as equipas de urgência durante a noite e fim de semana são constituídas maioritariamente por internos dos primeiros anos. "As pessoas com boa vontade conseguem tapar buracos, mas não conseguem fazê-lo indefinidamente". Também o bastonário dos Médicos irá visitar o hospital. Miguel Guimarães adiantou que vai ser endereçada uma carta aos diretores clínicos de todos os hospitais públicos, privados e sociais do país a alertar para a importância de garantir as equipas tipo, solicitando que reportem situações em que isso não esteja a ocorrer.

Com o período de maior afluência de urgências a aproximar-se, ainda não foi tornado público qualquer plano para reforçar as urgências. Questionada pelo mesma publicação, a Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo não esclareceu se foi feito feito algum levantamento das contratações de médicos e enfermeiros necessários nos diferentes hospitais.

 

Relatório pedido em janeiro

No início deste ano, em janeiro, para fazer face aos problemas crónicos nas urgências, o Governo determinou a criação de um grupo de trabalho para "estudar os diferentes modelos organizativos no funcionamento dos Serviços de Urgência, tendo em vista a apresentação de uma proposta de otimização da prestação de cuidados urgentes/emergentes".

O grupo tinha um prazo de quatro meses para entregar um relatório com propostas, mas os trabalhos acabaram por prolongar-se no tempo. Questionado pelo jornal SOL sobre qual o ponto de situação e se as medidas não deveriam ser implementadas antes de mais um período de maior procura das urgências, o Ministério da Saúde esclareceu que o grupo de trabalho solicitou um adiamento da entrega do relatório para outubro, não adiantando se o mesmo já foi ou não recebido. A tutela adiantou apenas que os novos membros do Ministério da Saúde irão oportunamente analisar o documento, acrescentando que está ainda a ser desenvolvido um trabalho de estudo sobre a "organização das urgências metropolitanas, com especial atenção nas áreas pediátrica e obstétrica, no sentido de melhorar modelos de organização".

 

Encerramento da urgência em Almada ainda em estudo

Esta sexta-feira, a comissão de utentes do Hospital Garcia de Orta revelou que a administração do Hospital teria comunicado que, depois do encerramento aos fins de semana, a urgência pediátrica passaria a estar fechada todas as noites a partir de 18 de novembro, abrindo a partir dessa data durante o dia ao fim de semana. O hospital esclareceu entretanto que a reunião serviu para informar sobre hipóteses que estão ainda a ser trabalhadas. Também a ministra da Saúde Marta Temido disse que este é um cenário em estudo, apontando para a colocação de novos recém-especialistas no hospital no início da próxima semana.

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